terça-feira, outubro 31, 2006
sexta-feira, outubro 27, 2006
Traumaturgia
<>Pressionar.Botão.Open > CLICK.
<>Colocar.Disco >
<>Colocar.Disco >
<>Pressionar.Botão.Close > CLICK.
PLAY.
00:01
00.02
00.03
<>Ligar.Cabo >
<>Pressionar.Botão.Repeat > CLICK.
PLAY.
00:01
00.02
00.03
<>Ligar.Cabo >
<>Pressionar.Botão.Repeat > CLICK.
Respiro.
Dói por dentro.
Por dentro nem sei de quê, porque já não tenho corpo.
Agora sou luz e vivo aqui, sangue pixelizado
Pingando gota a gota da tela inexistente.
Sim, ainda dói, mas dói menos.
Porque não cheiro o metal queimado,
A carne torcida.
Porque abandonei os gritos lancinantes do futuro.
Agora sou presente, e sou luz.
E nada me atinge, só este gotejar manso.
Click.
Click.
Click.
Sou luz, luz incontida, incomensurável!
O gosto a morte já não me incomoda!
Click.
Click.
Sou eterno!
<>Pressionar.Botão.Stop > CLICK.
...
..
.
quinta-feira, outubro 26, 2006
quinta-feira, outubro 19, 2006
Em forma...
Passei o dia semi-entrevado. Depois de um longo interregno, voltei a frequentar o ginásio, e estou a sentir os efeitos. O meu corpo vai agradecer a longo prazo, mas neste momento em vez de palavras de reconhecimento só solta a ocasional imprecação, cada vez que utilizo um músculo dorido.
É óptimo fazer exercício. Devia era ter percebido isso quando era adolescente, e assim tinha o trabalho facilitado. Anos de prática regular de actividade física ter-me-iam preparado para... bem, para mais anos de prática regular de actividade física. Em vez disso, tenho de arrastar-me a custo pelo circuito das máquinas, e ver as senhoras entradotas levantar o mesmo peso que eu. Ah, as alegrias de ser um fracote crónico!
Claro que há um lado muito positivo. Sinto-me mais descontraído, mais leve, cada vez que saio do ginásio. É óptimo para descomprimir, e sei que o exercício só me faz bem. E sempre estou num ambiente diferente por umas horas, para desenjoar do emprego e de estar fechado em casa.
Era bom era ver mais resultados. Era excelente que ao fim de umas semanas a minha barriga estivesse lisa e o meu pneu furado. Também gostava de encher minimamente a parte superior do corpo. Mas pronto... Mesmo que as coisas não funcionem assim já não me importo de ir reduzindo a custo parte das gordurinhas supérfluas. É melhor que nada e sempre me mantenho um pouco mais saudável no processo.
Mais uns meses e pode ser que já se note alguma coisa. Espero bem que sim. Mesmo. É que por enquanto olho para o espelho e apetece-me perguntar a mim mesmo...
"Estás em forma? Mas em forma de quê?"
É óptimo fazer exercício. Devia era ter percebido isso quando era adolescente, e assim tinha o trabalho facilitado. Anos de prática regular de actividade física ter-me-iam preparado para... bem, para mais anos de prática regular de actividade física. Em vez disso, tenho de arrastar-me a custo pelo circuito das máquinas, e ver as senhoras entradotas levantar o mesmo peso que eu. Ah, as alegrias de ser um fracote crónico!
Claro que há um lado muito positivo. Sinto-me mais descontraído, mais leve, cada vez que saio do ginásio. É óptimo para descomprimir, e sei que o exercício só me faz bem. E sempre estou num ambiente diferente por umas horas, para desenjoar do emprego e de estar fechado em casa.
Era bom era ver mais resultados. Era excelente que ao fim de umas semanas a minha barriga estivesse lisa e o meu pneu furado. Também gostava de encher minimamente a parte superior do corpo. Mas pronto... Mesmo que as coisas não funcionem assim já não me importo de ir reduzindo a custo parte das gordurinhas supérfluas. É melhor que nada e sempre me mantenho um pouco mais saudável no processo.
Mais uns meses e pode ser que já se note alguma coisa. Espero bem que sim. Mesmo. É que por enquanto olho para o espelho e apetece-me perguntar a mim mesmo...
"Estás em forma? Mas em forma de quê?"
sexta-feira, outubro 13, 2006
Sexta a 13
Em sintonia com o post do rmixme, temos hoje muito a propósito…
Sexta-Feira, 13!
Coitada, provavelmente o azar dela foi a roupa do estendal ter pegado fogo e ter ficado sem mais nada para vestir...
Sexta-Feira, 13!

Coitada, provavelmente o azar dela foi a roupa do estendal ter pegado fogo e ter ficado sem mais nada para vestir...
terça-feira, outubro 10, 2006
Poor Pretty Pink Poodle
Ontem ia de carro quando reparei, ao fundo da rua, numa mancha de cor. À medida que me ia aproximando, fui constatando para meu espanto que aquele rosa choque não era outra coisa senão... um caniche.
O pobre do bicho, alheio à sua (falta de) sorte, trotava alegremente ao lado da dona. Essa, de relance, pareceria bastante normal não fora o cartaz a dizer "Tenho um mau gosto brutal" que pendurou em si própria ao mandar tingir o cão.
Mas que raio passará pela cabeça de algumas pessoas, esta rapariga incluída? Se alguém se quer destacar, revelar individualidade, força. Roupas alternativas, tudo bem. Penteados avant-garde, sou todo a favor. Mas expressar-se transformando o animal de estimação numa Supergorila de Morango Ácido?
O animal não se torna mais infeliz por ser cor de rosa, eu sei. Para ele é exactamente a mesma coisa. Nisso tem realmente mais sorte. Não se apercebe do atentado contra a sua dignidade. Podia ser pior, também sei disso. Ao menos não caiu numa casa onde o maltratem fisicamente. Mas mesmo assim, era engraçado ver a dona pintada de amarelo fluorescente num qualquer cruzamento a substituir a sinalização da rotunda... Ela havia de gostar...
O pobre do bicho, alheio à sua (falta de) sorte, trotava alegremente ao lado da dona. Essa, de relance, pareceria bastante normal não fora o cartaz a dizer "Tenho um mau gosto brutal" que pendurou em si própria ao mandar tingir o cão.
Mas que raio passará pela cabeça de algumas pessoas, esta rapariga incluída? Se alguém se quer destacar, revelar individualidade, força. Roupas alternativas, tudo bem. Penteados avant-garde, sou todo a favor. Mas expressar-se transformando o animal de estimação numa Supergorila de Morango Ácido?
O animal não se torna mais infeliz por ser cor de rosa, eu sei. Para ele é exactamente a mesma coisa. Nisso tem realmente mais sorte. Não se apercebe do atentado contra a sua dignidade. Podia ser pior, também sei disso. Ao menos não caiu numa casa onde o maltratem fisicamente. Mas mesmo assim, era engraçado ver a dona pintada de amarelo fluorescente num qualquer cruzamento a substituir a sinalização da rotunda... Ela havia de gostar...
sexta-feira, outubro 06, 2006
sexta-feira, setembro 29, 2006
Dois Dias >>
Bailado >> Ainda me lembro da primeira vez que vi um bailado ao vivo. Também era difícil ter esquecido, porque foi na sexta-feira passada. Mas vou lembrar-me por muito tempo, sem dúvida, desta viagem dançada através do amor nas suas diferentes formas, ao som da música de Bach. Não era apenas dança, eram sentimentos, emoções, verdadeiras palavras, soltas no palco de forma arrebatadora, impressionantemente vívidas, expressos de uma forma que nunca tinha imaginado possível. Adorei este trabalho da Companhia Nacional de Bailado. Tocou-me de forma muito positiva e adoraria revê-lo.Magia >> Magic: (The) Gathering para dois. O primeiro torneio do A.R. e o primeiro acompanhado para mim. Foi especial, porque foi o partilhar de algo que faço há já bastante tempo por prazer, mas sempre sozinho. O nervosismo do meu companheiro fez-me voltar um pouco à primeira vez que decidi pegar em cartas e pedir a outras pessoas para jogar. Correu muito bem, para ambos. E como o estreante já disse que volta no próximo de certeza absoluta, já tenho parceiro. Pode ser que até joguemos um contra o outro!
Performance >> Nas entranhas de um clube de bairro (Alto) apareceu por uma noite o salão de um cabaret decadente. Le Club Chez Moi é uma peça com imersão do espectador no próprio espectáculo. Não desgostei. Mas do que gostei mesmo foi de ouvir uma surpreendente Katiliana (aquela da Operação Triunfo), de quem tinha uma ideia um bocado diferente (leia-se pior), desempenhar a plenos pulmões, e de alma e coração, o papel de diva de cabaret. Só o show que ela deu valeu bem o bilhete.
Bairro >> Nunca fui um grande fã do Bairro Alto, mas estou progressivamente a habituar-me a ele, e até a gostar. Uma relativamente curta mas importante paragem no Bairro permitiu-me ver alguns dos meus melhores amigos. Os outros não estão esquecidos, mesmo que às vezes pareça… Mea culpa. Mas prometo que reato o contacto muito em breve. E se quiserem dizer qualquer coisa, melhor ainda, que é sempre bom saber como estão as pessoas de quem gostamos!
Gay >> Mister Gay. Terminou-se a noite de Sábado nesse local tão pitoresco, à falta de palavra melhor. É brega, sim. O show é o que toda a gente sabe (e acreditem, se não sabem, estão melhor assim). Mas no Sábado está sempre lotado, e como já não punha lá os pés há uns bons tempos, gostei de voltar. Claro que ajuda estar agarrado a um gajo giro para aguentar o show, e a música não estava má. Só não estivemos mais tempo porque o sono falou mais alto.
Sono >> Não é tão bom dormir? Também merece destaque porque é muito raro conseguir dormir nove horas seguidas, como fiz este fim de semana. E só quem nunca o fez é que não sabe como é bom acordar agarradinho à pessoa de quem gostamos.
Gay >> Mister Gay. Terminou-se a noite de Sábado nesse local tão pitoresco, à falta de palavra melhor. É brega, sim. O show é o que toda a gente sabe (e acreditem, se não sabem, estão melhor assim). Mas no Sábado está sempre lotado, e como já não punha lá os pés há uns bons tempos, gostei de voltar. Claro que ajuda estar agarrado a um gajo giro para aguentar o show, e a música não estava má. Só não estivemos mais tempo porque o sono falou mais alto.
Sono >> Não é tão bom dormir? Também merece destaque porque é muito raro conseguir dormir nove horas seguidas, como fiz este fim de semana. E só quem nunca o fez é que não sabe como é bom acordar agarradinho à pessoa de quem gostamos.Casa >> Como o tempo não estava nada famoso, o domingo foi passado indoors, tirando uma visita ao café da rua. Jogou-se Magic, no rescaldo do torneio. Afinal, não tínhamos chegado a jogar os dois e estávamos ansiosos para ver quem ganhava. Não revelo o resultado porque o A.R. podia ficar triste. Deixa lá, ganhas para a próxima, ok? Quanto ao jantar, foi cozinha experimental. Eu experimentei fazer uma nova receita e o A.R. experimentou comê-la. Até não estava mal. Estou a transformar-me num especialista em pratos regados a bechamel.
Tu >> E em tudo isto, tu. Neste fim de semana agitado e cheio de actividades, foste a constante. Como tens sido nos passados meses. Como espero que continues a ser, porque ambos o queremos. Seja a jogar cartas à maluca, a levantar de madrugada para ir para um trabalho, a fazer almoços e a lavar a loiça, a dizer “dorme bem” pelo telefone, ou abraçados um ao outro na cama, a desabafar e a dar apoio mútuo, a aparvalhar, a dançar, a ficar irritado, tudo o que possamos imaginar, gosto de te ter ao meu lado. Adoro-te. Mesmo. Nunca duvides disso.
quinta-feira, setembro 21, 2006
Flash Gordon
Ah, Flash Gordon! Que saudades dos filmes clássicos de ficção científica e da música dos Queen (e o peito musculado aqui do Sammy também deixou memórias)!Vem a propósito, porque hoje à noite fui violentamente acordado por outro Gordon, que em vez de Flash era Hurricane. Anunciou-se com trovões ensurdecedoramente estrondosos, ensopou tudo e todos, e em vez de salvar a Terra como o herói intergaláctico deixou o trânsito da maior parte do país mergulhado no caos esta manhã.
Demorei mais ainda que o normal para chegar ao trabalho. E como já é costume chegar cedo...
Nem de propósito. Eu a falar do fim do Verão, e o furacão Gordon a trazer uma bela amostra de Inverno, na pior das formas possíveis. O Engarrafamento de Trânsito...
quarta-feira, setembro 20, 2006
Fim de Verão
Estamos a poucos dias do início do Outono. E nota-se.
Os dias são cada vez mais pequenos. Acabou outra série dos Morangos com Açúcar. Eu estou de volta ao trabalho. E os campeonatos de surf têm cada vez menos espectadores.
Tenho andado a seguir o A.R. pelo circuito de surf do país, a reboque da Chipmix. Há algumas semanas na Ericeira, numa das etapas, a praia estava pejada de espectadores. Patrocinadores aos montes ergueram tendas para publicitar os seus produtos. Mas na última etapa a que assisti, por estes dias, o número de espectadores estava reduzido a um mínimo.
É pena. Apesar da diminuição progressiva da temperatura que se tem feito sentir e do tempo por vezes encoberto, estava-se bem na praia. As ondas foram muito mais espectaculares do que das outras vezes, e por isso os pros puderam exibir-se.
É claro que isso não importa; o calendário diz que a praia está out até ao ano que vem. E naturalmente, já está tudo a preparar-se para hibernar. As pessoas e o país em geral.
Os dias são cada vez mais pequenos. Acabou outra série dos Morangos com Açúcar. Eu estou de volta ao trabalho. E os campeonatos de surf têm cada vez menos espectadores.
Tenho andado a seguir o A.R. pelo circuito de surf do país, a reboque da Chipmix. Há algumas semanas na Ericeira, numa das etapas, a praia estava pejada de espectadores. Patrocinadores aos montes ergueram tendas para publicitar os seus produtos. Mas na última etapa a que assisti, por estes dias, o número de espectadores estava reduzido a um mínimo.
É pena. Apesar da diminuição progressiva da temperatura que se tem feito sentir e do tempo por vezes encoberto, estava-se bem na praia. As ondas foram muito mais espectaculares do que das outras vezes, e por isso os pros puderam exibir-se.
É claro que isso não importa; o calendário diz que a praia está out até ao ano que vem. E naturalmente, já está tudo a preparar-se para hibernar. As pessoas e o país em geral.

Que durmam, então, enquanto as ondas são maiores e o areal mais selvagem. Enquanto o encanto da praia muda de paraíso solarengo, para planície à média luz, até céu solitário de trovoada, fiquem em casa. A sonhar com o sol. Que só volta para o ano.
sexta-feira, setembro 01, 2006
segunda-feira, agosto 28, 2006
No Festival - Ah, e houve música...
Fui chamado à atenção e parece que sim, que me esqueci de um detalhe. No festival também houve música. Pelo menos acho que houve. Tal como a foto, a essência da música está tremida na minha memória.
O som foi supostamente de easy listening, cool, relaxed... Deve ter sido, e até um pouco demais, porque não houve nada que tivesse penetrado até ao "Tenho de ouvir isto". A música apenas conseguiu abanar-me ao de leve, fazer-me mexer um pouco ao sabor dela, a maior parte das vezes inconscientemente. Não foi forte a ponto de me arrastar para a frente do palco para vibrar com ela e com quem a fazia. Mas também, confirmou-se o que já tinha começado a suspeitar. Dos surfistas, gosto apenas do aspecto, e não é de todos, claro. O resto não me seduz por aí além, música incluída.
Já ouviram falar de publicidade enganosa? Não? Ainda bem, assim pode ser que não me processem. Ei, esta foi gira…
Já ouviram falar de publicidade enganosa? Não? Ainda bem, assim pode ser que não me processem. Ei, esta foi gira…
quinta-feira, agosto 24, 2006
No Festival - PDI(?)
Imaginem que estão no festival e que olham à vossa volta. Há montes de gente, o evento foi um êxito e o recinto encheu. Agora fixem-se numa cara apenas, uma cara qualquer. Quem olha de volta para vocês?
Em ambos os dias quase vazio a princípio, o parque de estacionamento da Fortaleza de Sagres terminou as noites a rebentar pelas costuras. Rebanhos de gente acotovelavam-se junto ao palco, nas barracas de comes e bebes, nos stands promocionais, por todo o lado. Quando falo em rebanhos, é propositadamente. Notava-se uma nota tribal neste conjunto de pessoas, que determinadas tribos estavam ali em força, com as suas características identificativas bem patentes. “Lembra-te que és único. Como toda a gente.”
Após uma análise superficial, mas que penso ser bastante exacta, a afluência na sua maioria pode resumir-se às seguintes categorias:
“Sou surfista e estou aqui com a minha prancha e a minha garina”
“Sou pita, mas mesmo, mesmo, mesmo pitinha, e estas são as minhas 15 amigas”
“Yaaahhhhh…. Ganda pedra, meu!
“Yaaahhhhh…. Ganda moca, bacano!
“Yaaahhhhh…. Ganda bezana, pá!
“Yaaahhhhh…. Ganda***” (barulho de queda no chão, inconsciente)
Surpresa das surpresas, não me identifiquei com nenhuma delas.
O conjunto formado era bastante homogéneo, surpreendentemente. Uma massa de gente. Que se contorcia, e pulava ululante ao ritmo da música, ou talvez de nada. Que esbanjava energia cinética como se não houvesse amanhã. Tá-se bem. Afinal é o que eu faço cada vez que vou à discoteca. Mas eu guardo sempre um restinho de energia no fim. E não fico eléctrico por estar quimicamente feliz.
Houveram alturas, quando estava a ajudar o A.R., em que perguntei a mim próprio porque me irritava aquela gente frenética, que estava ali para curtir até mais não (de forma sexual ou não) e depois cair para o lado, sendo que a parte de cair era na maior parte dos casos obrigatória. Dei por mim a contemplar a hipótese de *gulp* ser por eu já não ter idade para aquelas maluqueiras.
É isso? Já estou velho e não dei por nada? Onde está o meu espírito de aventura, o meu amor pela agitação, pela diferença? Desapareceu com a idade?
Não acho que sofra de falta de espírito de aventura. Porque foram uma aventura, estes dois dias, e eu diverti-me. Pude é, isso sim, constatar que há multidões em que não me encaixo. Ou que não me encaixo em multidões, ponto. Que aquele mar de gente não é a minha praia.
Mas também tomei realmente consciência, talvez pela primeira vez na vida, de que há toda uma faixa etária em que já não me integro. Que veio depois de mim e que tem já uns quantos elementos que me são estranhos, que acho deslocados quando olho para o meu próprio passado.
Isso não é estar velho. É talvez perceber que já não sou o último modelo. Que há uma geração depois de mim, mais fresca, com certeza, com mais fome de tudo. Mas uma geração que não tem ainda o que já tenho. Não tem 30 anos de experiências com que contrastar o que lhe aparece no caminho, não sabe algumas coisas que se calhar já aprendi. E que essa geração, que neste momento se perde numa busca delirante pela sua identidade, há de encontrá-la um dia, ainda que provavelmente de forma diferente do que encontrei (encontro?) a minha.
Há tempo e espaço para todos nós neste mundo; felizmente sei que tenho os meus. E pesando tudo, até gosto bastante deles…
…mas se alguma vez estiver a falar com alguém e começar uma frase por “No meu tempo…” têm toda a liberdade para me dar um tiro de misericórdia.
Acho que afinal ainda vai haver mais um post em relação ao Festival. Por isso não percam, pode ser que esse é que seja giro. Nunca se sabe.
Em ambos os dias quase vazio a princípio, o parque de estacionamento da Fortaleza de Sagres terminou as noites a rebentar pelas costuras. Rebanhos de gente acotovelavam-se junto ao palco, nas barracas de comes e bebes, nos stands promocionais, por todo o lado. Quando falo em rebanhos, é propositadamente. Notava-se uma nota tribal neste conjunto de pessoas, que determinadas tribos estavam ali em força, com as suas características identificativas bem patentes. “Lembra-te que és único. Como toda a gente.”
Após uma análise superficial, mas que penso ser bastante exacta, a afluência na sua maioria pode resumir-se às seguintes categorias:
“Sou surfista e estou aqui com a minha prancha e a minha garina”
“Sou pita, mas mesmo, mesmo, mesmo pitinha, e estas são as minhas 15 amigas”
“Yaaahhhhh…. Ganda pedra, meu!
“Yaaahhhhh…. Ganda moca, bacano!
“Yaaahhhhh…. Ganda bezana, pá!
“Yaaahhhhh…. Ganda***” (barulho de queda no chão, inconsciente)
Surpresa das surpresas, não me identifiquei com nenhuma delas.
O conjunto formado era bastante homogéneo, surpreendentemente. Uma massa de gente. Que se contorcia, e pulava ululante ao ritmo da música, ou talvez de nada. Que esbanjava energia cinética como se não houvesse amanhã. Tá-se bem. Afinal é o que eu faço cada vez que vou à discoteca. Mas eu guardo sempre um restinho de energia no fim. E não fico eléctrico por estar quimicamente feliz.
Houveram alturas, quando estava a ajudar o A.R., em que perguntei a mim próprio porque me irritava aquela gente frenética, que estava ali para curtir até mais não (de forma sexual ou não) e depois cair para o lado, sendo que a parte de cair era na maior parte dos casos obrigatória. Dei por mim a contemplar a hipótese de *gulp* ser por eu já não ter idade para aquelas maluqueiras.
É isso? Já estou velho e não dei por nada? Onde está o meu espírito de aventura, o meu amor pela agitação, pela diferença? Desapareceu com a idade?
Não acho que sofra de falta de espírito de aventura. Porque foram uma aventura, estes dois dias, e eu diverti-me. Pude é, isso sim, constatar que há multidões em que não me encaixo. Ou que não me encaixo em multidões, ponto. Que aquele mar de gente não é a minha praia.
Mas também tomei realmente consciência, talvez pela primeira vez na vida, de que há toda uma faixa etária em que já não me integro. Que veio depois de mim e que tem já uns quantos elementos que me são estranhos, que acho deslocados quando olho para o meu próprio passado.
Isso não é estar velho. É talvez perceber que já não sou o último modelo. Que há uma geração depois de mim, mais fresca, com certeza, com mais fome de tudo. Mas uma geração que não tem ainda o que já tenho. Não tem 30 anos de experiências com que contrastar o que lhe aparece no caminho, não sabe algumas coisas que se calhar já aprendi. E que essa geração, que neste momento se perde numa busca delirante pela sua identidade, há de encontrá-la um dia, ainda que provavelmente de forma diferente do que encontrei (encontro?) a minha.
Há tempo e espaço para todos nós neste mundo; felizmente sei que tenho os meus. E pesando tudo, até gosto bastante deles…
…mas se alguma vez estiver a falar com alguém e começar uma frase por “No meu tempo…” têm toda a liberdade para me dar um tiro de misericórdia.
Acho que afinal ainda vai haver mais um post em relação ao Festival. Por isso não percam, pode ser que esse é que seja giro. Nunca se sabe.
segunda-feira, agosto 21, 2006
No Festival - Bolachas e Tatuagens
Sagres é uma Vila de Surf. Por todo o lado se vêem Surf Shops, carros com pranchas no tejadilho, rapazes com prancha debaixo do braço. O parque de campismo estava carregado delas e respectivos donos. Ironicamente, o único sítio onde não vi pranchas nestes dois dias deve ter sido a praia, porque (dah) não fui lá. A escolha de Sagres para a realização do Festival pareceu-me assim extremamente acertada, tanto do ponto de vista temático como logístico.
O recinto do Festival também foi bem pensado. Em vez do palco no meio de nenhures que mais ou menos esperava encontrar, deparei com um complexo bem montado, mesmo dentro da vila. Com a fortaleza de Sagres como pano de fundo, e utilizando o parque de estacionamento da mesma como área do festival (para que é que a fortaleza precisa de um parque de estacionamento tão grande, não faço ideia), havia mais do que espaço suficiente para o palco, para todas as estruturas de apoio (Cruz Vermelha, bares, stands de comida, stands promocionais e casas de banho), e claro, para os espectadores.
Foi uma experiência nova, esta de entrar num recinto desta natureza, especialmente quando ainda estava quase vazio, com excepção do pessoal técnico e dos artistas, em pleno soundcheck. O A.R. e eu andámos um pouco por ali, com as nossas novas pulseiras rosa choque no pulso (eram as pulseiras que nos identificavam como parte do staff, não um fashion statement), a tomar café e a bisbilhotar, antes de começarmos a trabalhar, ou mais propriamente, ele a trabalhar e eu a apoiar.
Estivemos no Stand da Chipmix, uma marca entre as outras presentes com espaços publicitários. Aí, juntamente com outras actividades e distribuição de bolachas, das quais acabei por trazer algumas (hei, são boas, o que é que querem? E depois se são de chocolate?), havia um espaço onde quem quisesse podia ficar com um desenho na pele, uma tatuagem temporária que saía passados uns três dias. O A.R. estava encarregue dos desenhos e eu de limpar pincéis, controlar a fila e registar o que ele fazia. Durante os dois dias, foram quase duzentas tatuagens, feitas entre algumas (escassas) pausas. Ficaram giras, e foram feitas em tempo record. Mais uma vez, pude comprovar que o namorado é bom naquilo que faz, em tudo o que se propõe a fazer. Mas isso eu já sabia.
O que não sabia, ou pelo menos não tinha certeza era se, com todos os contratempos que já descrevi, o balanço das mini-férias ia ser positivo.
A resposta, mais do que sim, é SIM.
O chão era duro, mas adorei acordar ao teu lado.
A noite era cerrada, mas adorei fazer o caminho de mão dada contigo no escuro.
O percurso foi longo e debaixo de sol, mas adorei transportar as malas lado a lado contigo.
O trabalho foi muito, mas adorei ajudar-te no que pude e sentir que ajudei por estar lá.
Nem tudo tem de ser como planeamos para ser bom. E se nas dificuldades estiverem dois, como estão nas alegrias, então as coisas já não são tão difíceis.
Adoro-te. Em Sagres ou noutro lado qualquer.
E no próximo post, dúvidas existenciais. Não percam mesmo porque é capaz de ser o último, e já me disseram que este é que vai ser giro.
O recinto do Festival também foi bem pensado. Em vez do palco no meio de nenhures que mais ou menos esperava encontrar, deparei com um complexo bem montado, mesmo dentro da vila. Com a fortaleza de Sagres como pano de fundo, e utilizando o parque de estacionamento da mesma como área do festival (para que é que a fortaleza precisa de um parque de estacionamento tão grande, não faço ideia), havia mais do que espaço suficiente para o palco, para todas as estruturas de apoio (Cruz Vermelha, bares, stands de comida, stands promocionais e casas de banho), e claro, para os espectadores.
Foi uma experiência nova, esta de entrar num recinto desta natureza, especialmente quando ainda estava quase vazio, com excepção do pessoal técnico e dos artistas, em pleno soundcheck. O A.R. e eu andámos um pouco por ali, com as nossas novas pulseiras rosa choque no pulso (eram as pulseiras que nos identificavam como parte do staff, não um fashion statement), a tomar café e a bisbilhotar, antes de começarmos a trabalhar, ou mais propriamente, ele a trabalhar e eu a apoiar.
Estivemos no Stand da Chipmix, uma marca entre as outras presentes com espaços publicitários. Aí, juntamente com outras actividades e distribuição de bolachas, das quais acabei por trazer algumas (hei, são boas, o que é que querem? E depois se são de chocolate?), havia um espaço onde quem quisesse podia ficar com um desenho na pele, uma tatuagem temporária que saía passados uns três dias. O A.R. estava encarregue dos desenhos e eu de limpar pincéis, controlar a fila e registar o que ele fazia. Durante os dois dias, foram quase duzentas tatuagens, feitas entre algumas (escassas) pausas. Ficaram giras, e foram feitas em tempo record. Mais uma vez, pude comprovar que o namorado é bom naquilo que faz, em tudo o que se propõe a fazer. Mas isso eu já sabia.
O que não sabia, ou pelo menos não tinha certeza era se, com todos os contratempos que já descrevi, o balanço das mini-férias ia ser positivo.
A resposta, mais do que sim, é SIM.
O chão era duro, mas adorei acordar ao teu lado.
A noite era cerrada, mas adorei fazer o caminho de mão dada contigo no escuro.
O percurso foi longo e debaixo de sol, mas adorei transportar as malas lado a lado contigo.
O trabalho foi muito, mas adorei ajudar-te no que pude e sentir que ajudei por estar lá.
Nem tudo tem de ser como planeamos para ser bom. E se nas dificuldades estiverem dois, como estão nas alegrias, então as coisas já não são tão difíceis.
Adoro-te. Em Sagres ou noutro lado qualquer.
E no próximo post, dúvidas existenciais. Não percam mesmo porque é capaz de ser o último, e já me disseram que este é que vai ser giro.
quinta-feira, agosto 17, 2006
No Festival - Vingança Kármica
No Domingo, fui almoçar a casa da minha prima de Odivelas. Foi o aniversário dela e como é tradição reuniu-se grande parte da família, num daqueles almoços que sabem mesmo bem, tanto pela comida como pelo convívio que já não é tão frequente hoje em dia. Foi excelente, mas apesar de me custar um pouco sair de lá, tinha outra coisa boa à minha espera e consegui chegar a Almada sem muito atraso, para nos pormos os três a caminho dos Algarves.
Depois de um caminho naturalmente um pouco demorado mas sem incidentes, chegámos a Sagres e localizámos o caminho da vila para o Parque. À beira dessa estrada, quase totalmente ocultos pela escuridão, caminhavam diversos vultos de pessoas que (percebia-se) estavam hospedadas no parque e pediam boleia para lá. Lembro-me de na altura pensar para mim mesmo “Não querias mais nada…”
Foi esse o meu erro.
Pelos vistos os poderes cósmicos até estão atentos, de vez em quando. “Ai gozas? Depois de te estarmos a dar um dia bom? Então espera aí…” É que chegados ao parque de campismo, e a tenda montada, a J. recebe um telefonema. Por motivos familiares, tem de voltar para Lisboa nessa mesma noite. E volta, e com ela o carro.
E o A.R. e eu ficamos no Parque de Campismo de Sagres, a 4 Km do mundo civilizado… apeados.
Viemos a Sagres para passear, mas também porque o A.R. ia trabalhar no festival nestes dois dias. Não podíamos voltar para Lisboa com a J., apesar de nos custar deixá-la ir sozinha. Assim, tivemos de nos arranjar sem transporte, e os planos para as mini-férias foram forçosamente alterados. Praia estava fora de questão, porque sem carro não dava tempo de ir e voltar e ainda estar prontos a tempo de trabalhar. Valeu-me o bronze adquirido nas caminhadas à beira da estrada. Discoteca também nem pensar, especialmente porque se tinha falado em ir à Kadoc, que apesar de ser no Algarve, ficava a mais de 100km… Contentei-me com o som do stand da Chipmix, que por acaso até não foi nada mau.
Custou. Os vários percursos entre a vila e o Parque foram violentos. Umas vezes porque estava um calor abrasador, outra por cauda da escuridão total, outra ainda (a última) porque viemos carregados com TODO o material de campismo, de trabalho e roupas, mas todos porque a distância era grande, sem passeio de jeito, por cima de uma berma de pedras ou alcatrão quando não haviam carros. O coitado do A.R., depois de vários destes trajectos, ainda tinha de trabalhar 8 horas praticamente seguidas. E como éramos (somos) maçaricos no campismo, não levámos qualquer tipo de colchão ou almofada, apenas os sacos cama, o que quer dizer que o nosso descanso deixou um pouco a desejar.
Depois de um caminho naturalmente um pouco demorado mas sem incidentes, chegámos a Sagres e localizámos o caminho da vila para o Parque. À beira dessa estrada, quase totalmente ocultos pela escuridão, caminhavam diversos vultos de pessoas que (percebia-se) estavam hospedadas no parque e pediam boleia para lá. Lembro-me de na altura pensar para mim mesmo “Não querias mais nada…”
Foi esse o meu erro.
Pelos vistos os poderes cósmicos até estão atentos, de vez em quando. “Ai gozas? Depois de te estarmos a dar um dia bom? Então espera aí…” É que chegados ao parque de campismo, e a tenda montada, a J. recebe um telefonema. Por motivos familiares, tem de voltar para Lisboa nessa mesma noite. E volta, e com ela o carro.
E o A.R. e eu ficamos no Parque de Campismo de Sagres, a 4 Km do mundo civilizado… apeados.
Viemos a Sagres para passear, mas também porque o A.R. ia trabalhar no festival nestes dois dias. Não podíamos voltar para Lisboa com a J., apesar de nos custar deixá-la ir sozinha. Assim, tivemos de nos arranjar sem transporte, e os planos para as mini-férias foram forçosamente alterados. Praia estava fora de questão, porque sem carro não dava tempo de ir e voltar e ainda estar prontos a tempo de trabalhar. Valeu-me o bronze adquirido nas caminhadas à beira da estrada. Discoteca também nem pensar, especialmente porque se tinha falado em ir à Kadoc, que apesar de ser no Algarve, ficava a mais de 100km… Contentei-me com o som do stand da Chipmix, que por acaso até não foi nada mau.
Custou. Os vários percursos entre a vila e o Parque foram violentos. Umas vezes porque estava um calor abrasador, outra por cauda da escuridão total, outra ainda (a última) porque viemos carregados com TODO o material de campismo, de trabalho e roupas, mas todos porque a distância era grande, sem passeio de jeito, por cima de uma berma de pedras ou alcatrão quando não haviam carros. O coitado do A.R., depois de vários destes trajectos, ainda tinha de trabalhar 8 horas praticamente seguidas. E como éramos (somos) maçaricos no campismo, não levámos qualquer tipo de colchão ou almofada, apenas os sacos cama, o que quer dizer que o nosso descanso deixou um pouco a desejar.
Adicionando o que está acima às refeições improvisadas, e à utilização dos sanitários comunais do Parque, quase parecia que estávamos a viver um fim de semana de recruta. As coisas não correram exactamente como estávamos à espera.
Finalmente, e felizmente, depois de acabarmos o trabalho na terça à noite quase à uma da manhã, a J. conseguiu voltar para buscar-nos, sem o quê eu não conseguiria ter regressado ao trabalho na quarta-feira de manhã. Foi uma viagem muito mais rápida do que a vinda, pelo menos para mim. Afinal, dormi o caminho todo.
No próximo post, o festival propriamente dito e o porquê de estes dias não terem sido como pareceria à primeira vista uma desgraça total (pelo contrário). Não percam porque ouvi dizer que este é que vai ser mesmo giro.
Finalmente, e felizmente, depois de acabarmos o trabalho na terça à noite quase à uma da manhã, a J. conseguiu voltar para buscar-nos, sem o quê eu não conseguiria ter regressado ao trabalho na quarta-feira de manhã. Foi uma viagem muito mais rápida do que a vinda, pelo menos para mim. Afinal, dormi o caminho todo.
No próximo post, o festival propriamente dito e o porquê de estes dias não terem sido como pareceria à primeira vista uma desgraça total (pelo contrário). Não percam porque ouvi dizer que este é que vai ser mesmo giro.
domingo, agosto 13, 2006
Sagres Surf Festival
Por aqui ultimam-se os preparativos para zarpar para Sagres, mais precisamente para a praia do Tonel. Felizmente os agouros não se concretizaram e com a graciosa colaboração da gerência segunda-feira vou trocar Almada pelo Algarve. Objectivo: Sagres Surf Festival.Vão ser dois dias de "Surf Music", praia, campismo, disco, passeio e até trabalho. Em suma, vão ser o que se pode chamar de dois-dias-pra-valer-por-duas-semanas-de-férias-por-isso-vê-lá-se-aproveitas-bem.
Estou curioso em relação à música. Se música com inspiração no surf significa algo parecido a Beach Boys ou Jack Johnson, então vou gostar, mas considerando a disparidade entre estes dois exemplos, é melhor preparar-me para algo diferente.
Também estou curioso, e se calhar até um bocado mais, em relação ao ambiente. Nunca fui a um festival de música de Verão, o que parece quase uma heresia considerando o número de festivais que fazem o cartaz do nosso país actualmente. Não faço ideia do que é estar num evento desta natureza, vivê-lo, ainda que só por dois dias. Vai ser uma estreia.
Logo à noite pomo-nos a caminho, eu, o A.R. e a J.. Surf's up, dudes!
quinta-feira, agosto 10, 2006
O Regresso do S.

O símbolo acima e o senhor por detrás dele voltam hoje às salas de cinema portuguesas com um novo filme, depois de largos anos de interregno.
Se estão a pensar ir ver, força que pelas críticas este regresso até nem é mau. Se não vão ou se simplesmente mal conseguem esperar para ver uma figura de emblema ao peito a cruzar os céus a alta velocidade, também podem espreitar aqui.
segunda-feira, agosto 07, 2006
Jonathan Strange & Mr. Norrel

No início do século XIX, a Magia desaparecera havia tempo de Inglaterra. John Uskglass, o Rei Corvo, rei-feiticeiro de metade de Inglaterra, há muito se afastara, assim como as fadas se haviam retirado de volta a Faerie.
Acabei de ler Jonathan Strange & Mr. Norrel. O livro relata os esforços destes dois personagens, dois feiticeiros numa terra onde a única magia presente é a teórica, para restaurar a Magia Inglesa à sua antiga forma. Primeiro como aluno e mentor, depois como rivais, Strange e Norrel são mostrados como duas personalidades e visões distintas que inevitavelmente entrarão em conflito, mas que partilham fervorosamente da mesma paixão: a Magia.
Susanna Clarke dá-nos nesta sua primeira obra um surpreendente retrato de uma Inglaterra alternativa, com a Magia irrevogavelmente impregnada na sua história. Surpreendente tanto pela sua minúcia como pela verosimilhança; conseguimos acreditar que foi assim que Wellington venceu Napoleão, com o auxílio de frotas ilusórias ou enredando os exércitos franceses em marchas intermináveis por estradas que se tornavam labirintos. Acreditamos que existiram numerosos cavalheiros estudiosos de Magia, que publicavam cuidadosa e profusamente as suas descobertas, e que tinham como ajudantes essas perigosas criaturas, as fadas. Que por todo lado estradas ligavam Inglaterra às terras encantadas de Faerie. A Magia criada por Clarke tem um cunho muito próprio, é quase uma gentleman’s magic, que apesar de desaparecida, faz parte integrante do mundo a que pertence.
Mas não é preciso gostar de livros sobre magia e o fantástico para apreciar Jonathan Strange & Mr. Norrel. A exploração de uma paisagem histórica tão rica e personagens diversos, a sua interacção e a sua evolução são atractivos mais que suficientes para que esta seja uma estória a ler e, pelo menos no meu caso, a saborear.
Fiquei várias vezes acordado até às tantas para o acabar, que é coisa que já não fazia há algum tempo. E mesmo assim, apetecia-me mais. Como diz um dos elogios na contracapa, é possível um livro de 800 páginas parecer pequeno demais.
quinta-feira, agosto 03, 2006
A Gosto
Agosto já começou e trouxe consigo um tempo bem chocho. Mas está-se bem. Ao contrário da maior parte dos portugueses, tenho um único dia de férias marcado para este mês. E mesmo essa tentativa de me aproveitar do feriado de dia 15 com uma ponte poderá ser contrariada aqui pela gerência (grrrr….).
Férias em Agosto sempre foi coisa que não me seduziu por aí além. A maioria das famílias, certamente empurrada pelas férias escolares das criancinhas, tem o seu ripanço anual encaixado neste período. Longas (a roçar o interminável) filas para a praia substituem o trânsito para Lisboa, porque ninguém vai trabalhar. Isso implica praias (ainda mais) cheias e acesso livre para Almada. Bom para mim. Porque assim não fico com pena de não estar a torrar ao sol e se torna mais fácil vir trabalhar.
Prefiro as férias antes ou depois. Ou, como no caso deste ano, repartidas entre antes e depois. Já gozei metade, e daqui a trinta dias gozo o resto. No intervalo, gozo com aqueles que stressam mais tempo na fila de trânsito para a Fonte da Telha do que quando vão para o emprego.
E por falar nas praias da Fonte da Telha, já era tempo dos organismos competentes fazerem alguma coisa em relação aos acessos às praias, especialmente à estrada florestal. Conhecida também com “Via dos Masoquistas” ou “Estrada da Sauna” (devido ao calor que se apanha dentro das carros, claro), é um verdadeiro pesadelo, mesmo fora de Agosto. Basta um carro mal estacionado para travar o fluxo automóvel por umas duas horas. Aproveito para deixar saudações aos palhaços que sabendo disto não se preocupam minimamente onde deixam a lata, desde que possam ir pôr o rabo de molho.
Eu gosto de Agosto. E até tiraria férias neste mês se fosse apanhar um avião para paragens longínquas e exóticas. Mas como fico por cá mesmo, prefiro o ar condicionado do escritório, por enquanto. É um descanso.
Férias em Agosto sempre foi coisa que não me seduziu por aí além. A maioria das famílias, certamente empurrada pelas férias escolares das criancinhas, tem o seu ripanço anual encaixado neste período. Longas (a roçar o interminável) filas para a praia substituem o trânsito para Lisboa, porque ninguém vai trabalhar. Isso implica praias (ainda mais) cheias e acesso livre para Almada. Bom para mim. Porque assim não fico com pena de não estar a torrar ao sol e se torna mais fácil vir trabalhar.
Prefiro as férias antes ou depois. Ou, como no caso deste ano, repartidas entre antes e depois. Já gozei metade, e daqui a trinta dias gozo o resto. No intervalo, gozo com aqueles que stressam mais tempo na fila de trânsito para a Fonte da Telha do que quando vão para o emprego.
E por falar nas praias da Fonte da Telha, já era tempo dos organismos competentes fazerem alguma coisa em relação aos acessos às praias, especialmente à estrada florestal. Conhecida também com “Via dos Masoquistas” ou “Estrada da Sauna” (devido ao calor que se apanha dentro das carros, claro), é um verdadeiro pesadelo, mesmo fora de Agosto. Basta um carro mal estacionado para travar o fluxo automóvel por umas duas horas. Aproveito para deixar saudações aos palhaços que sabendo disto não se preocupam minimamente onde deixam a lata, desde que possam ir pôr o rabo de molho.
Eu gosto de Agosto. E até tiraria férias neste mês se fosse apanhar um avião para paragens longínquas e exóticas. Mas como fico por cá mesmo, prefiro o ar condicionado do escritório, por enquanto. É um descanso.
quinta-feira, julho 27, 2006
A ti
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