quarta-feira, junho 21, 2006

And Now I'm Back / From Outer Space

Voltei.

Não que tivesse ido para fora. Ou melhor, se calhar até fui. Pra fora da minha rotina de escritório. Pra fora do espartilho que é às vezes estar sentado nesta cadeira.

Saí por uns dias da realidade de trabalho para estar somente na outra realidade, aquela onde estou com os amigos e não há horas para nada, a não ser as que impomos a nós mesmos. A companhia foi a melhor que poderia ter tido. Ter-te ao lado nas férias, partilhar tantos dias contigo, deitou nova luz sobre ti e sobre nós. E deu-me a certeza que nós não existe apenas em tempo de férias.

Regressei ao trabalho. Foram quinze dias, mas na maior parte deles, e fugindo à norma, esqueci-me completamente da existência do escritório. Apesar disso, ele não se esqueceu de mim. Havia literalmente uma pilha de trabalho na secretária à minha espera. Agora vou ter de tratar do reverso da medalha férias/trabalho, que é voltar a ter os assuntos em dia. Enfim...

Em paralelo e em perspectiva dos últimos tempos (porque as férias também servem para pôr as coisas em perspectiva), percebo que a minha própria realidade se vai alterando, e que as diferentes partes da minha vida, antes tão compartimentadas, se vão misturando. As fronteiras vão-se esbatendo e dissolvendo pouco a pouco. É um processo muito gradual, mas está lá. Amigas de longa data a quem conto a verdade, a mana e o namorado em relação de amizade, reuniões de amigos (tanto da minha parte como da dele) onde o outro vai, colegas que estiveram sentados ao nosso lado a comer bifanas, no dia das marchas sem que me aperceba, e mais importante, eu a sentir-me perfeitamente confortável acerca disso, traduzem o facto de eu estar a mudar.

Não digo que vou sair do armário no meu local de trabalho, e muito menos que me vou desfazer em trejeitos no escritório. Nem que vou chegar a casa amanhã e sentar os meus pais na sala para ter AQUELA conversa. Estou é, isso sim, a dizer que já não falo em sussurros cada vez que falo com um amigo pelo telemóvel. Que já não converso a medo no café acerca de assuntos privados com receio de que alguém possa ouvir a conversa. Que é natural, e não stressante, encontrar familiares ou colegas em contexto social quando estou com o namorado ou amigos do outro lado.

Talvez daqui a um tempo, não tão longínquo, eu deixe que os diferentes aspectos se misturem completamente. Se fizer sentido para mim. Talvez. Logo se vê.

2 comentários:

rmixme disse...

Pois, eu sempre pouco me importei com isso. Há uns meses atrás preocupava-me por outra pessoa, que sempre respeitei. Agora, como sabes, já anda o boato no meu emprego e, sinceramente, é para o lado que durmo melhor (mas também aqui já toda a gente dormiu com toda a gente, só eu é que não, daí o boato). Mas depende dos empregos que se tenha e de como nos sentimos com nós próprios, obviamente. Mas a pouco e pouco vamos estando mais à vontade, às vezes com recuos e novos avanços. O que é preciso é sentirmo-nos bem com nós próprios e isso vê-se em ti mais do que nunca.

Fico feliz por isso.

Anónimo disse...

Meu lindo... Todos os belos momentos passados a teu lado (nestas férias e em qualquer outra altura) foram tão ou melhor saboreados por mim como por ti. Soubem e tem sabido bem cada pedaço passado contigo e também em mim o sentimento e a certeza de muitas coisas foram reforçados.
Em relação ao resto... Uma vida só por si já pode ser complicada... Viver uma só vida pode ser uma prova de coragem e força de vontade... Se viver uma só vida já é difícil, para quê viver várias? Como tu dizes 'gradualmente' mas pensa que quando és sincero contigo e com as pessoas que têm um lugar no teu coração tudo passa a ser mais fácil. Já para não falar em respeito...
Maluca ou não esta é a minha filosofia de vida...
O que interessa é que te adoro e estarei contigo para o que der e vier e para o que achares certo...
Talvez porque GMMDTMCLDMCQÉTT
Mil beijos com ternura, amor, carinho e muita amizade