
Já sei que outros blogs do meu círculo de amigos fizeram menção à morte de Stephen Gately, mas tinha de deixar aqui o meu próprio post...
Há já alguns bons anos, numa viagem que fizeram a Portugal, os Boyzone iam actuar num programa em directo, e à última da hora, o Ronan Keating ficou doente. Mas não se podia cancelar, com centenas de fãs aos gritos no estúdio, para além da promoção, e assim, a solução foi aparecerem na mesma os restantes quatro, e pôr um jovem Stephen a cantar à capela em directo na televisão.
As meninas histéricas queriam Keating. Conseguia-se perceber nos olhos dele que Stephen sabia isso, e que não se sentia à vontade com aquele protagonismo inesperado, mas apesar disso cantou de forma admirável. As meninas não tão histéricas aplaudiram, de forma comedida. Queriam a canção enlatada, queriam o vocalista principal.
E eu só pensava "Mas vocês são estúpidas ou quê? Com um rapaz com aquela voz e aquele aspecto ali, de olhar doce e vulnerável, e estão-se a chorar pelo outro?"
Ao longo dos anos, Stephen Gately foi-se construindo aos poucos para mim. Um dos membros dos Boyzone. O miúdo a enfrentar a plateia, perdido e ternurento. O homem corajoso que se assumiu no meio de uma boysband irlandesa. O cantor de "I believe", uma música não muito conhecida mas que me toca como poucas. Alguém que não teve medo de construir a sua vida com quem amava. A melhor das pessoas, segundo os que o conheceram.
E agora desaparece, sem ter terminado o seu percurso. Mas ao menos, acredito que tenha vivido de forma verdadeira. Em todos os sentidos.
If you can't choose what to be,
You can choose what to dream.