terça-feira, junho 06, 2006

Finalmente...

Estou de
FÉRIAS!!!

sábado, junho 03, 2006

quinta-feira, junho 01, 2006

A criança dentro de nós

Como é Dia da Criança, mais uma efeméride sem absolutamente nada de comercial (introduzir tom sarcástico nas palavras atrás, por favor) e como acredito que cada um de nós tem dentro de si uma criança (embora não literalmente - isso só as grávidas), junto-me às comemorações introduzindo uma alteração no meu blog.

A partir de agora, e se a coisa funcionar como deve ser, está na barra lateral um cartoon que vai actualizando regularmente. Sempre é diferente. E é alguma coisa para manter a nossa criança interior ocupada. Porque é sabido que uma criança sem nada para fazer só faz confusão.

quarta-feira, maio 31, 2006

Puzzle Porto

Eu e o A.R. fomos até ao Porto este fim de semana. Foi uma visita curta; ele foi a trabalho e eu fui atrelado.

Nos tempos antigos, ou quando eu era uma criança, fui algumas vezes ao Porto. A minha avó paterna morava lá, e muito de quando em vez, porque não dava para mais, íamos visitá-la. Aquela cidade para mim era basicamente o Sítio Mais Longe, a terra lá bem nos confins de tudo. O Porto dessa época é para mim um sítio nebuloso. Era pequeno demais para reter até hoje mais do que alguns pormenores. Mas talvez por estar completamente fora da minha rotina, sei que parecia um lugar quase mágico.

O meu Porto de criança é um prédio antigo, com escadas de madeira de corrimões trabalhados em redor de um poço de escada largo, iluminado por uma clarabóia enorme. É um apartamento pequenino, com casa de banho ao fundo do corredor comum, e com vizinhos que moravam em águas furtadas e me ofereciam bolachas de uma lata. É a imagem de N.S. de Fátima de cima da mesa de cabeceira que me fascinava por brilhar no escuro. Sou eu e a mana sentados na relva de uma praça que não conheço, radiantes com os nossos novos óculos escuros de plástico. É arroz de polvo, cozinhado pela minha avó.

Mas a minha avó faleceu, e durante muito tempo deixei de ir ao Porto.

Quando voltei, já estava na faculdade. Visita de médico. E desde então fui lá algumas vezes, mas sempre de fugida. Nos tempos modernos, nunca fiquei mais do que dois dias seguidos na cidade, no máximo. Talvez por isso, o meu Porto dos tempos antigos esbateu-se, foi substituído por uma cidade escura, uma cidade fria.

A única excepção até há pouco a estas visitas inconsequentes foi há alguns anos. Dois dias com o M.FAP, que me levou a conhecer os Clérigos, a Casa de Serralves e o Palácio de Cristal, e me apresentou a parte temática do Porto (I remember – Hope you do to).

E chegamos a este fim de semana. Até ao A.R..

Chegámos Sexta de madrugada e voltámos Sábado à tarde. Não saímos à noite, porque ele tinha trabalho bem cedo, e além disso a viagem de comboio tinha sido cansativa. Só de manhã demos uma volta pela cidade, volta necessariamente rápida, mas que me surpreendeu. Sobretudo pelo facto de encontrar em pormenores e lugares uma porta para um Porto mágico que pode bem ser o meu Porto de criança.


Foto 1 – Um Néctar, por favor!



Um Compal de lata… já não via um destes há muito tempo, ainda mais num café. Ainda mais especial porque as mesas do café tinham tampos amovíveis que serviam de bandeja e encaixavam na mesa propriamente dita.


Foto 2 – Café no Majestic



Café do Porto por excelência, o Majestic é exactamente isso: majestoso. A atmosfera é fantástica, o decór fabuloso. E um sítio com esta mística acaba por fazer mais sentido aqui do que em Lisboa.


Acabo por perceber que o meu conhecimento da Cidade Invicta se assemelha a um puzzle. Cada vez que a visito, trago um bocadinho mais comigo, mais uma peça. Por enquanto ainda só tenho uma visão parcial da imagem geral. Mas as peças que trouxe da última vez fizeram-me achar que se calhar até vou gostar mais do quadro completo do que julguei a início. Talvez porque goste tanto de quem mas proporcionou.

segunda-feira, maio 22, 2006

Aleluia!!??


Estes simpáticos senhores são os vencedores da edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção.

Se não perceberam, eu digo outra vez.

Estes senhores, oriundos da Finlândia, são os vencedores da edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção.

Com a canção "Hard Rock Hallelujah", Mr. Lordi e amigos ficaram à frente de outros 23 países finalistas. Na minha opinião, a canção nem era das piores mas também não tinha interesse especial. Esta vitória, embora diga respeito a um mero concurso musical, acaba por ser mais um reflexo do actual estado das coisas. O foco deixou de incidir sobre a qualidade das canções, e agora o importante é toda a encenação que rodeia a interpretação. Looks over content.

E que raio de país é a Finlândia, que acha piada a ser representada num certame internacional por um punhado de demónios a debitar hard rock? Pode ser muito à frente, mas se isto acontecesse em Portugal, podem ter a certeza que mesmo aqueles que nem ligam grande coisa ao estado político ou económico do país iam fazer escarcéu. Por muito que o orgulho nacional seja diminuto e a canção até tenha ganho, uma vitória nestes moldes, onde se vence por um truque publicitário e não por mérito artístico, deve ter um travozinho a amargo.

Nunca pensei dizer isto, mas minhas ricas Non Stop... Mesmo que as canções tenham o mesmo nível de qualidade, ao menos é muito menos doloroso olhar para elas.

domingo, maio 21, 2006

A noite dos museus

Ontem podia-se visitar qualquer museu em Lisboa fora de horas, numa iniciativa que visava comemorar o Dia dos Museus. E como era uma coisa diferente (e à borla), com direito a animação e tudo, lá decidimos experimentar uma visitinha.

Começámos pelo Museu Nacional dos Coches. Aí tínhamos como atracção uma banda, que tocava Blues. Não muito apropriado ao espaço em questão, mas ao mesmo tempo uma mistura agradável. Pena que tivéssemos chegado quase no fim da actuação, mas aproveitámos para ver a exposição propriamente dita. Que tem peças bastante interessantes, diga-se; não só coches, mas também algumas outras peças, pinturas e apetrechos vários relacionados com cavalos e carruagens. É um museu não muito grande, mas agradável.

Depois, e como a noite avançava, demos um salto ao Museu Nacional de Arqueologia, nos Jerónimos. Aí supostamente teríamos direito a visita guiada com guia privativo, mas aproximava-se a hora de fechar (que ontem foi à uma da manhã), e só tivemos tempo para uma visita relâmpago. Que também foi interessante. Tive pena de não ver tudo, e tenho de lá voltar.

Terminámos a noite dos museus num dos Claustros dos Jerónimos, onde se fazia uma mostra interactiva de danças tradicionais (que o meu pai teria adorado, mas que foi interessante para mim também), em conjunto com uma feira de produtos tradicionais. A ginginha era excelente, e o copo (de chocolate) melhor ainda.

Foi uma mudança de cenário interessante. Só é pena que tenha de haver iniciativas destas para que me obrigue a visitar os nossos museus. Em Barcelona, na semana que lá estive, visitei tantos museus como certamente já visitei em largos anos em Portugal. É puro comodismo, e estupidez. Podia aproveita muito mais. Mas não sou o único. No nosso país, infelizmente, essa é a regra. Com um património tão vasto como o que temos, é pena que a maioria simplesmente o ignore, e acabe por não conhecer o seu passado. É quase como ignorar quem foram os nossos pais...

quinta-feira, maio 18, 2006

Recarregar Baterias II

E depois há aqueles dias em que as coisas correm exactamente como deviam, e temos um jantar normalíssimo que é um bálsamo só pela companhia, e um serão sossegado que aconchega o íntimo.

Senti-me muito bem contigo ontem... como aliás tem sido a regra ultimamente.

quarta-feira, maio 17, 2006

Ser Verde


A 16 de Maio de 1990, há 16 anos atrás, deixou-nos Jim Henson.

Criador e força impulsionadora dos Marretas, Henson possuía um toque mágico, transformando marionetas em seres vivos, trazendo até nós um sentido de humor muito próprio, permeado de inocência até nos seus personagens mais extremos. Todo o seu trabalho reflectia amizade, magia, amor pelo que fazia; tudo isso passava para aqueles que como eu assistiam ao seu trabalho, e que foram de um modo ou de outro tocados por ele.

Uma prova da maneira positiva como Henson tocou o íntimo de muitos, se for necessária alguma, está nas cerimónias fúnebres que honraram a sua morte. Em perfeita harmonia com a sua vida, os seus colegas e amigos homenagearam-no da maneira que, tenho a certeza, ele teria achado a mais natural, como se pode ver por este relato:

"No final do funeral, Frank Oz falava. Subitamente, levantou a marioneta do Cocas e começou a cantar uma canção chamada “Uma Voz”. Todos os bonecreiros presentes, que afinal tinham trazido consigo as suas marionetas para a cerimónia fúnebre, revelaram-nas, e quando nos virámos e olhámos para trás, lá estavam cinquenta marionetas cantando também. Depois, o Big Bird desceu o corredor da Catedral de Saint Paul e todos eles avançaram, aquele grupo enorme de marionetas cantando em coro… Foi um acontecimento extraordinário..."

Também eu tenho Henson como parte da minha história, também uma parte dele está lá guardada. Os Marretas são uma das minhas mais antigas, senão a mais antiga, memória televisiva. Numa televisão ainda a preto e branco (e por favor, tentem ignorar o que isto diz acerca da minha idade) era levado aos bastidores de um espectáculo muito louco, que começava logo com um ponto alto no próprio genérico: muito antes de aparecer a corrida dos Simpsons para o seu sofá, houveram os momentos em que Gonzo, o Magnífico soprava o seu trompete, e o imprevisto hilariante acontecia, semana após semana. Desde Porcos no Espaço, as “piadas” do urso Fozzy, o Chefe Sueco, até aos Velhos no seu camarote que tudo demoliam com comentários corrosivos, tudo contribuía para me fascinar do princípio ao fim.

Quero agradecer a Jim Henson por ajudar a povoar o meu imaginário. E por transmitir mensagens que interessam não só a crianças, mas a todos nós, ainda e sempre.

Deixo no final deste post uma canção interpretada originalmente por Jim Henson, emprestando a voz ao seu personagem mais famoso, o sapo Cocas. É uma canção simples… e que me faz sentir bem comigo próprio. Espero que também faça o mesmo por vocês.


Bein' Green

It's not that easy bein' green
Having to spend each day the color of the leaves
When I think it could be nicer bein' red or yellow or gold
Or something much more colorful like that

It's not easy bein' green
It seems you blend in with so many other ordinary things
And people tend to pass you over 'cause you're
Not standin' out like flashy sparkles on the water
Or stars in the sky

But green is the color of Spring
And green can be cool and friendly-like
And green can be big like an ocean
Or important like a mountain
Or tall like a tree

When green is all there is to be
It could make you wonder why
But why wonder, why wonder?
I am green and it'll do fine
It's beautiful
And I think it's what I want to be

And green can be big like an ocean
Or important like a mountain
Or tall like a tree

When green is all there is to be
It could make you wonder why
But why wonder, why wonder?
I am green and it'll do fine
It's beautiful
And I think it's what I want to be

quinta-feira, maio 11, 2006

Recarregar Baterias

Depois de um dia inteiro sentado em frente a um computador, horas a fio fitando um monitor, chega-se à noite com um peso nos olhos, no corpo todo, e também na alma.

É preciso recarregar baterias. Ganhar energias para recomeçar na manhã seguinte, descansar e descontrair falando e trocando experiências com aqueles de quem gostamos.

Mas e quando a outra pessoa está num estado igual ou pior que o nosso? Quando dormiu pouco e passou todo o dia em comboios e correrias, ou então simplesmente está enervado porque esteve o dia todo em casa sem saber o que inventar mais e acaba por descarregar parte do seu desconforto em nós?

Quando digo descarregar, não quer dizer que grite, ou que esperneie. Significa apenas que na sua óptica os seus problemas tomam precedência sobre todo o resto.

É complicado. Temos de respirar fundo, e pensar antes de abrir a boca. Dizer a nós mesmos que o outro não está a ser insensível aos nossos problemas, está simplesmente a reagir aos seus e espera de nós o que à partida esperaríamos dele. Que noutra noite qualquer quereria ouvir tudo o que tivéssemos para dizer. Custa um bocadinho, mas por vezes é isso mesmo que acontece.

Nessas ocasiões, é bom lembrar que uma relação não são só beijos e brincadeiras. Que às vezes é preciso aparar os golpes do outro, tentar entendê-lo mesmo que isso signifique esquecer por uns momentos o nosso próprio cansaço. Se isso acontecer de ambos os lados, e não for exclusivo de uma das partes, é perfeitamente aceitável. Num mundo perfeito, todos se entenderiam automaticamente, mas no mundo real, há que tentar compreender, dar apoio, até relevar algumas palavras ditas para que as coisas resultem.

Talvez nessa noite sejamos nós a fazer o papel de ouvinte, mas se soubermos que quando a situação se inverter seremos ouvidos, podemos descansar.

segunda-feira, maio 08, 2006

Eu na TV

Quero agradecer aos senhores da produção do concurso “Em família” por terem avisado com tanta antecedência quando vai passar o programa em que participei.

Para quem estiver interessado em ver, ainda não avisaram… mas passou hoje.

Também não perderam muita coisa… a minha família não teve muito tempo de antena, porque os outros ganharam quase tudo. E das vezes que apareci, foi quase como figurante, porque não disse mais do que uma palavra de cada vez. É claro que mesmo assim posso ser contratado para fazer um filme mudo, caso estejam a pensar em realizar algum…

É que à boa tradição cá do je, cada vez que a câmara pousava em mim, lá estava eu com bichos carpinteiros, sem saber bem como estar. Ora punha as mãos atrás das costas, ora em cima da bancada, ora acenava enfaticamente a cada pergunta não dirigida do sr. Fernando Mendes… Um exemplo vivo de como se pode pensar que se está à vontade e depois de ver percebemos que afinal tínhamos eléctrodos miniatura a aplicar choques alternados de corrente contínua…

Ah, e a pergunta que me calhou em sorte ser o primeiro a responder tinha como resposta mais dada a palavra “seios”. Como podem ver, o destino conspirou contra mim. Podia ter-me saído alguma coisa que fizesse parte do meu círculo de interesses.

Lá em casa gravou-se o programa, amigos… mas não me parece que a auto-censura vá deixar passar a gravação para o exterior.

quinta-feira, maio 04, 2006

Cativa(ste)-me




"- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaste...
(...)
O que é que «cativar» quer dizer?
- É uma coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor... tenho a impressão que me cativou...
- É bem possível - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na terra...
(...)
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor... cativa-me! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
(...)
Foi assim que o pricipezinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
(...)
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer."


O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry

terça-feira, maio 02, 2006

segunda-feira, abril 24, 2006

Dois Aniversários

Tive duas festas de aniversário este fim de semana.

Depois de um dia de Sábado a jogar Magic (sim, já passaram quatro meses desde a última vez), fui a um jantar de anos. Um jantar especial, porque se comemorava o aniversário do A.R..

A maior parte das pessoas importantes para o A.R. estava presente (e algumas delas são muito importantes para mim também). Foi um convívio muito agradável, mas o melhor foi mesmo ver o brilho nos olhos dele. Estava feliz. Muito, muito feliz. Apesar de algo que lhe faz muita falta. Apesar de algumas desilusões. Apesar da relutância em entrar nos trintas. Apesar de tudo isso, estava rodeado de amigos, de gente que lhe quer bem. Que mais se pode querer como presente de aniversário?

Depois do restaurante de comida indiana-barra-italiana, karaoke no Bairro Alto. Cantou a mana e um amigo do A.R., cantei eu e finalmente cantou ele. Eu sei que aquela música tem um significado para ti. E também sei que toda a gente te ouviu, até aqueles que não estavam presentes.

Acabámos a noite no MG. Depois de termos estado com os amigos dele, estivemos com os meus.



E só houve tempo de dormir, e passou-se ao segundo aniversário. Aí aconteceram duas coisas dignas de nota.

Primeiro: a S. fez festa!

É uma evolução, Amiga. Adorei o teu lanche, e adorei perceber que estavas perfeitamente à vontade no papel da anfitriã que tem prazer de receber os amigos em sua casa.
E numa nota privada, gostei muito do que me mostraste. Ficou muito bem e tens mais coragem do que eu.

Segundo: levei o A.R.. Como meu namorado, ainda que não abertamente.

Isto não quer dizer que estivemos de mãos dadas. Nem que o tratei de forma especial, para além de amigo. Mas percebe-se perfeitamente a intimidade. Percebe-se, pelas conversas que não estão lá. Pelos gestos que quase fazemos. E há sempre um ou dois olhares fugazes que não dão para disfarçar.
Não sei o que as outras pessoas presentes pensaram. Talvez tenham notado, mesmo porque nunca levei ninguém, em todos estes anos, e consequentemente estávamos os dois sob escrutínio. Mas se não quero chocar sensibilidades, também já estou cansado de viver a minha vida em função do que os outros sentem. Apeteceu-me levá-lo comigo. Gostei de tê-lo ao lado, e sei que da mesma maneira que ele faz questão de partilhar comigo cada parte da sua vida, também é importante para ele sentir-se integrado nos vários aspectos da minha. Se para isso tenho de dar a entender alguma coisa, tanto pior. Até porque as pessoas que me conheciam ali já tinham mais do que tempo de, se não saber, pelo menos suspeitar. E é a minha vida. Não a dos outros.

quinta-feira, abril 20, 2006

Em Família

Ultimamente não devo estar em mim. Deixei uma das minhas primas levar-me a outro concurso de televisão. Participei e tudo. E esqueci-me de que as câmaras lá estavam 3 minutos depois de começar a gravar.

Há uns largos anos, havia um concurso na RTP apresentado por Fialho Gouveia, chamado Entre Famílias. Foi a primeira vez que assisti à gravação de um programa; um dos meus colegas de escola foi participar e o pessoal foi todo convidado. Basicamente, tratava-se de um duelo entre membros de duas famílias diferentes, respondendo a questões baseadas em inquéritos feitos a cem pessoas distintas. As respostas dadas não deverão ser o que está certo, mas o que essas pessoas responderam.
O programa “Em Família”, iniciado recentemente, tem a mesma mecânica de jogo. O apresentador, para aqueles que trabalham e não estão em casa às 7 da tarde (ou não estão para ver pessegadas), é o sr. Fernando Mendes. Gordinho, baixinho, engraçadinho (de piadas, claro, não de aspecto), simpático. Pronto.

Semanas atrás, fui com a mana e vários primos a um casting. Foi uma experiência divertida. Já tinha ido a outro, para o programa das sopas, mas este foi em conjunto e logo teve o dobro da piada. Pelos vistos não devemos ter feito muito má figura, porque nos chamaram para participar no programa (ou isso ou tinham falta de equipas, mas prefiro pensar que foi pela nossa disposição cintilante e apurado sentido de jogo).

A gravação foi num estúdio da RTP algures em Lisboa. Fomos penteados e maquilhados depois de algumas horas de espera. A minha pele, e não me estou a queixar, nunca tinha estado com um tom tão uniforme; espero que pareça natural, na televisão. Devo parecer mais gordo uns sete quilos, segundo o que me disseram. Ao menos vou aparentar um peso de gente.

Fomos encaminhados ao estúdio e briefados (vem de briefing – em inglês é mais caro). Os nossos oponentes eram simpáticos, e como nós estavam ali para se divertir. Começou a gravação, e logo se definiu um padrão: os outros estavam a sair-se melhor. Tentámos dar luta, mas em vão. Fomos eliminados. Foi a tragédia, o horror…

…ou nem por isso. A nossa prestação não foi fulgurante, mas apesar de estarmos a zeros quase até ao final não foi tão deprimente como se possa pensar. As respostas a dar são subjectivas e muitas vezes contra-intuitivas. Quando fizeram a pergunta “Ao que é que os portugueses são mais alérgicos?” ao grupo de teste, duas das respostas mais dadas foram Trabalho e Falta de dinheiro. Lógico, muito lógico.

A outra equipa foi à parte final do programa mas não conseguiu ganhar os 7.500€ que são o prémio final. Foi pena, e é um bocado frustrante morrer na praia. Por mim, saí de lá com 1/6 de 114€ (que vamos receber daqui a uns 6 meses) e uma torradeira. O dinheiro sempre vai dar para fazermos um jantar, e a torradeira, embora não a tenha experimentado, parece-me bastante boa. Nada mau, hein?

No fundo, foi fazer de maneira um pouco diferente o que fazemos em família quando temos ocasião, que é divertir-nos à volta de um jogo de tabuleiro como o Trivial Pursuit ou o Pictionary. O tabuleiro é que alterou um bocadinho, mas divertimo-nos na mesma.

terça-feira, abril 18, 2006

Frida



Tive ocasião de visitar uma das exposições patentes neste momento no Centro Cultural de Belém, onde me foi revelada a obra de Frida Kahlo.

Esta pintora mexicana deixou-nos um legado ímpar. A nível artístico, e a nível pessoal. A sua arte acabava por ser mesmo a sua vida, retratando-a, exorcizando-a, completando um mundo sempre centrado na sua solidão e na dor constante. Vale a pena tentar perceber o ser humano que se esconde por detrás d'"A coluna partida", "Hospital Henry Ford", ou d'"Umas quantas facadinhas".

Por algum tempo, perdi-me por entre poemas em tela. Poemas que falam de agonia, mas também de coragem. Poemas de isolamento, e retratos daqueles que a rodeavam. Imagens surrealistas, que como ela própria dizia, não eram mais do que a sua realidade.

Mas cá fora, por entre as pessoas que visitavam a exposição, também houve algo que me chamou a atenção. Um casal passeava por entre as obras de arte juntamente com o filho, um miúdo dos seus 4, 5 anos. Mas ao contrário do frete usual da criança que vai atrás dos pais com suspiros de "QUERO IR EMBORA!" ou "QUERO IR FAZER XIXI!", o miúdo parecia estar a gostar verdadeiramente de estar ali. Talvez porque em vez de o tratarem com condescendência, os pais lhe fossem explicando cada quadro em termos apropriados à sua idade. A maturidade e complexidade dos temas retratados não os demoveram, e ainda bem. Acho que ficou provado que as crianças não são fracas de espírito, talvez exactamente quando não os tratamos como tal. Tenho a certeza que da mesma forma que me senti enriquecido quando saí, também aquele puto beneficiou do toque de Frida.

domingo, abril 16, 2006

Desejo

Cuidado com o que desejas.
Poderá tornar-se realidade.
- Antigo Provérbio

quarta-feira, abril 12, 2006

Flor, e bela

Parece que lá em casa as flores nem precisam de ser plantadas...
Basta juntar a mana e o A.R. e aparecem espontaneamente!



Sei que estavas preocupado, mas não tinhas razão para isso. Nada mudou de ontem para hoje. Para pior, pelo menos.

sábado, abril 08, 2006

Há dias...

Há dias assim. Umas vezes não estamos à espera e somos enterrados por contrariedades e problemas. Outras estamos preparados para o pior e afinal até aparecem uns raios de sol por entre as nuvens.

O ambiente no trabalho tem andado de cortar à faca. Não é de hoje, mas esta semana tem sido um pouco mais complicada. Por causa do chefe, por causa dos colegas, pelo trabalho em si. Ontem estava a contar com uma sexta-feira daquelas de fugir, com um volume de trabalho que não me ia dar tempo para respirar, e que se ia prolongar por TODO o fim de semana. E a minha colega preferida, a J., daquelas (poucas) que posso chamar mesmo amiga, voltou de férias para encontrar uma situação muito desagradável ao nível profissional.

E depois as nuvens afastaram-se.

Metade do trabalho que eu tinha entre mãos foi, milagrosa e surpreendentemente, transferido para a semana que vem. Tenho tempo para descansar minimamente este fim de semana! Yes!
O problema da J. não se resolveu ainda, mas passou para segundo plano quando recebeu a melhor notícia de todas. Por telefone, ontem a meio da tarde, disseram-lhe aquilo que mais queria ouvir. É um segredo, conhecido ainda de muito poucos, mas como nenhum de vocês a conhece (com uma excepção; mas tu já sabes mesmo, né?) acho que não estou a quebrar a confidência dela quando digo que, depois de anos de tentativas, a J. está finalmente grávida.

Quase que chorei ontem, que é uma coisa que não convém no local de trabalho. A J. chorou mesmo, discretamente, porque para ela ainda é uma coisa preciosa demais para ser apregoada aos sete ventos, ainda mais com a situação profissional no pé em que está. Fui dos poucos a quem foi confidenciado. Não que precisasse. Uma olhadela para a cara dela e soube logo.

Ela merece. Ela e o marido, que é um tipo para lá de porreiro também. Vendo-os juntos, ainda claramente apaixonados depois de largos anos de casamento, dou graças por nem toda a gente se estar a divorciar e a renunciar a uma vida em conjunto (que é infelizmente o panorama geral envolvendo o restante dos meus colegas).

Acabei a noite de forma também um pouco inesperada e muito fixe. Fui com o A.R. e as amigas dele à festa de aniversário do Teatro da Comuna. Só percebi realmente onde e ao que ia quando lá cheguei; por andar tão estressado, nem tinha tomado bem conhecimento. Foi o máximo. Música dos eighties, temperada com Hung Up e afins, muita gente gira, ambiente muito cool, e carradas de actores conhecidos. Afinal era o aniversário de um teatro. E alguns até fizeram figuras e tudo. Por isso deixei-me de inibições (que geralmente tenho fora de sítios temáticos) e dancei tal e qual como me apeteceu.

Depois de uma segunda-feira de susto, afinal na sexta sempre respeitei a lei das compensações. Só demorou um bocadinho mais.

quinta-feira, abril 06, 2006

Weekend Aftershock

No seguimento de um fim de semana movimentado, pela lei das compensações, deveria ter tido um início de semana mais calminho.

Devo ter uma costela de fora-da-lei, porque a raça da Segunda-Feira foi tudo menos calma.

A manhã foi o terminar do trabalho do fim de semana. A correria do costume. Tirar fotocópias, verificação de última hora, encadernar os processos, lacrar envelopes (e empestar o escritório todo – na opinião dos meus colegas, lacre dá uma grande moca, mas geralmente estou esgazeado demais nesta recta final para notar). Tudo em passo acelerado. Almoçar (se se pode chamar a enfiar na boca o conteúdo de um prato de comida em menos de 3 minutos almoçar) a seguir, e meter no carro da empresa para fazer quase duma assentada o caminho da Margem Sul até à Figueira da Foz.

Cheguei bem à Figueira. Até encontrei o meu destino com facilidade, graças às indicações surpreendentemente simples e exactas de um agente da autoridade a quem pedi informações. Entreguei os documentos a tempo e horas, e atipicamente com alguma margem de manobra. Pronto. Já podia descansar.

Pois podia. Mas a parte mais movimentada do dia ainda não tinha começado.

Aproveitei para relaxar e lanchar na Figueira. Depois do stress, bem merecia. Estive até uns minutos na praia, no extenso areal que é uma das atracções da cidade, e onde se estava maravilhosamente com o calorzinho do óptimo dia que se fazia sentir. Depois, meti-me a caminho para voltar.

Vou escrever telegraficamente a partir daqui.

Autoestrada. Muito movimento. Mais autoestrada. Saída para estação de serviço. O carro derrapa. Eu travo. Ele não pára. Dá de traseira. Derrapagem de lado até ao rail. Frente do carro em péssimo estado. Fico esgazeado (desta sem lacre). Tiro o carro do meio do caminho. Ligo ao chefe. Vem a assistência da Brisa. Preenche relatório. Falo com o chefe. Vem a Brigada de Trânsito. Preenche relatório. Sopro no balão. Falo com o chefe. A BT chama reboque. Vou comprar máquina fotográfica a pedido do chefe. Não há máquinas na bomba. Não há fotos do rail danificado. Chega o reboque n.º1. Falo com assistência em viagem. Não cobrem reboques chamados pela BT. Vai embora o reboque n.º1. Falo com assistência em viagem. Dizem que vão mandar reboque e táxi. Espero. Falo com o chefe. Falo com os pais. Chega o reboque n.º2. Carrega o carro. Nada de táxi. Vai embora o reboque n.º2. Espero. Chega o táxi. Viagem da Nazaré até Almada. Chego ao escritório. Pego no meu carro. Caminho até casa dos pais. Janto. Deito-me.

Despistei-me às 18.50h. Cheguei a casa dos pais depois da meia-noite.

Uma segunda-feira assim foi um bom prenúncio para o resto da semana...

quarta-feira, abril 05, 2006

Going through the weekend

Etapas do fim de semana: trabalho, desfile, afterparty, almoço de família, festa de aniversário do mano, trabalho.
Se algumas coisas da lista parecerem deslocadas, é favor ignorar. É o que eu faço, embora não devesse.


Este fim de semana estive num desfile de moda, mas não o vi acontecer.
A parte que vi foi o que está por trás. Os bastidores. A preparação demorada por que toda aquela gente tem de passar para um desfile que acontece a correr.

É complicado. Não vou falar da escolha da roupa, ou da preparação da coreografia ou da passerelle. Porque não assisti e porque também não quero dar opinião. Ao que assisti, foi ao pentear e à maquilhagem antes e durante o desfile.

Eram vinte modelos. Quinze raparigas e cinco rapazes. Todos a ser penteados e maquilhados antes. Para além disso haviam artistas, que tiveram de ser preparados também, assim como o apresentador. Uma carrada de gente.
Os penteados ficaram a cargo de uma equipa profissional de cabeleireiros. Senhoras muito profissionais, de nariz empinado e sem imaginação nenhuma. Num desfile que se queria artístico, foram verdadeiras pintoras de paredes no lugar dos Picassos necessários.

A maquilhagem foi outra estória. Sou parcial? Trata-se do namorado, afinal, por isso sou suspeito. Talvez, mas acho que não me engano, porque houveram muitas opiniões externas no final que o confirmaram, quando digo que a equipa, nomeadamente o A.R., fez um trabalho excepcional.

Demorou, mas correu tudo bem. Todos ficaram penteados e maquilhados a tempo e horas. A parte mais complicada ainda estava para vir. O desfile propriamente dito.

Foi um stress medonho. As entradas e saídas dos modelos sucediam-se a um ritmo alucinante, com necessidade de mudança de visual a cada uma das etapas. Foi o alterar quase instantâneo, por várias vezes, do trabalho feito ao longo de toda uma tarde. Foi o decidir em cima do joelho, porque não havia mesmo outra forma possível, apesar de existir um planeamento, do que resultaria melhor por cima de duas ou três maquilhagens anteriores.

Resultou. Muito bem mesmo. Toda a gente adorou. Menos o artista, claro. Para ele as coisas poderiam ter ficado bem melhores. Talvez pudessem, com muito tempo. Como as coisas decorreram, ele fez verdadeiros milagres.

Uma das coisas que achei fantástico no meio disto tudo foi ver que há pessoas, como o A.R., que vibram com o seu trabalho. Que o consideram um prazer necessário e não uma obrigação. Outra foi perceber que embora não tivesse feito nada a tarde toda, e a noite toda, a minha função era mais que importante: era estar ali para ele, a apoiá-lo, a transmitir-lhe confiança para que conseguisse ultrapassar uma etapa pessoal importante.

Adoro-te. Obrigado por me deixares entrar na tua vida.

sexta-feira, março 31, 2006

terça-feira, março 28, 2006

100 Tempos

Houveram fases em que tinha todo o tempo do mundo. Em que passava horas perdidas a jogar no computador por que não tinha nada para fazer.

Como diz a amiga Celine, “those days are gone”.

Entre reservar um bocadinho para a família, amigos que não se dão com outros amigos, e que por isso têm de ser “marcados” para horas diferentes, outras pessoas a que quero dar atenção exclusiva, trabalho até à hora que for (e por vezes até aos fins de semana), horas para ir ao ginásio, tempo para sair, para dançar e deixar-me ir, e claro, tempo para namorar, sobram só algumas nesgas para me sentar sem fazer nada. E cada vez menos.

Às vezes parece que ultimamente tenho de organizar uma agenda só para gerir todos os meus tempos. Não costumava ser assim. E se é bom ter muitas coisas com que me ocupar, começa a faltar-me o tempo para recuperar o fôlego. Mas fazer o quê, se sou eu próprio que sinto falta de estar com as pessoas? Se tenho prazer nisso?

Claro que o tempo para escrever também não é muito. Já se passaram várias coisas sobre as quais gostaria de ter escrito aqui, mas estou ocupado a vivê-las… o que no fim de contas é o melhor, não é?

Haja tempo…

terça-feira, março 21, 2006

Árvore

Hoje é Dia Mundial da Árvore. Hoje também é Dia Mundial da Poesia. Não tenho pretensões a ser poeta mas apeteceu-me brincar um bocadinho. Aqui vai... o meu poema-árvore.



Era uma árvore.
Só uma árvore. | Só uma árvore.
Na sua sombra | Na sua sombra
Nunca descansou um pobre | Nunca descansou um herói
Nem suspiraram aversos | Nem recitaram versos
Pedintes dessa selva. | Ninfas da floresta.
Só uma árvore | Só uma árvore
Sem consciência que a gerasse | Sem mão alva que a plantasse
Mais um acaso da Natureza | Como tributo à Natureza
Sem carinho que a afagasse | Ou carinho que a regasse
Quando era uma incerteza | Quando era uma incerteza
Que vingasse. | Que vingasse.
Quase nem uma | Apenas uma
No meio de tantas árvores | No meio de muitas árvores
Mais alto | Mais altas
Mais magras, sem beleza | Mais esguias, com beleza
Sujeita ao tempo, | Sujeita a ventos,
Ao passar de tempo incessante | E ao passar de tempo constante
E à indiferença | E à indiferença
De qualquer transeunte | De qualquer caminhante
Que passasse. | Que a olhasse.

Mas todos os dias
Ela agradecia ao sol
por aquecê-la,
agradecia à chuva
que a alimentava,
agradecia aos pássaros
pela vida que geravam
nos seus ramos.

E era feliz.
Pois mesmo uma árvore
Pode ser feliz
Por ser só uma árvore
Apenas uma árvore
Se for verdadeira.

quinta-feira, março 16, 2006

O cubículo do Bob

Se estão fartos do vosso local de trabalho, bisbilhotem o do Bob.

Vá lá, aproveitem que ele não está! :)

segunda-feira, março 13, 2006

O Segredo da Coisa

Há pouco tempo, com alguns dias de intervalo, fiz duas visitas a salas de cinema. Uma para ver “O Segredo de Brokeback Mountain”. Outra, o português “Coisa Ruim”.

“Brokeback” é um filme gay para heteros, na minha opinião. Não me consegui identificar com o filme, o que é estranho, considerando que geralmente tudo o que tenha esta temática costuma ter um efeito amplificado na minha pessoa.
É um bom filme. Um pouco arrastado na segunda parte, mas perfeitamente tolerável. Ennis, interpretado por Heath Ledger, é um homem hermeticamente fechado, sendo a sua descoberta de um amor por outro homem ao mesmo tempo a única brecha na carapaça que o impede de se relacionar com o mundo exterior e aquilo de que tem mais medo. Twist (Jake Gillenhall) é alguém que gostaria de passar a vida ao lado de Ennis, e vê recusado o seu anseio, pelas restrições da sociedade, pelo mundo, mas principalmente pelo próprio Ennis.
Há uma relação de 20 anos entre os dois. Feita de escapadelas, de momentos roubados. Uma relação que começa e acaba em Brokeback Mountain, e supostamente tão intensa que os faz voltar vezes sem conta para o seu refúgio. Então, porque é que saí da sala de cinema com a sensação que o sofrimento de Alma era tão mais importante para o realizador do que o de Ennis ou Jack?

Por sua vez, “Coisa Ruim” aventura-se onde muito poucos foram antes de si. É um filme de terror em português. E um esforço válido, embora mediano.
Ao contrário de “Brokeback”, arrasta-se mais no princípio, dando ao espectador apenas amostras muito pálidas de que algo não está bem. O meio é preenchido por explicações das várias superstições existentes no meio rural onde a acção se insere. Cai-se num ritmo muito narrativo, tendo a progressão da história um lugar secundário.
O desconforto inerente a um filme de terror só se instala mais para o final, e se mesmo aqui não consegue agarrar totalmente, principalmente porque a ameaça nunca se revela muito directa, pelo menos incomoda e deixa o espectador intranquilo e a perguntar-se o que se vai passar a seguir, o que é o que um filme de suspense/horror deve fazer.
O casal principal da história não aquece nem arrefece. Acho que os verdadeiros protagonistas acabam por ser os filhos, com boas actuações dos respectivos actores.

Ambos os filmes me surpreenderam um pouco. O primeiro, por não me emocionar tanto quanto esperava. O segundo, por me inquietar um pouco mais do que supunha. Ambos tinham espaço para mais. Algo que os fizesse resultar em pleno para mim. O quê, concretamente, talvez nem saiba precisar. É daqueles mistérios que só os que sabem verdadeiramente fazer cinema conhecem. É o tal segredo da coisa...

quarta-feira, março 08, 2006

Dia da Mulher



Não, não é nenhum daqueles dias do mês em que supostamente elas estão viradas do avesso... É mesmo um dia dedicado à outra metade do género humano.

Para aqueles que não sabem muito bem do que estou a falar, cliquem aqui.

Sem Máscaras



Pensei um bocado antes de escrever esta segunda parte. A porção emocional desta semana envolve directamente duas pessoas de que gosto. Bastante. Diz respeito a sentimentos e situações pessoais de cada um.
Há confidências que não verão estas linhas. Não por não terem importância para mim, pelo contrário, mas exactamente por serem isso mesmo, confidências.
De qualquer modo, sinto-me compelido a falar, porque desde que comecei a escrever este blog ele tem-se tornado um escape onde exorcizo algumas situações, onde as ponho em perspectiva. Por isso, talvez parte do que vem a seguir pareça desconexo, mas é o preço a pagar por se expor o que não será, de forma alguma, para expor.

Há pouco mais de uma semana, comecei de novo a interessar-me pela descoberta de alguém. Uma nova pessoa entrou na minha vida, sem pedir grande licença, sem grandes alardes. Ligámo-nos.

Hoje, a presença dele coloca-me num dilema.

É possível querer sem se saber se se quer? É concebível estar com alguém e adorar cada minuto e mesmo assim não perceber se me devo deixar envolver por ele?
Aparentemente sim. O problema não é ele. Pelo que já pude perceber neste pouco tempo, é a todos os níveis adorável, e uma pessoa a sério. Vejo claramente que estou no limiar… mais um passo e caio de cabeça.
O problema sou eu, e na minha disponibilidade para dar esse passo.
Conheço-o um pouco mais a cada dia. Tenho passado bastante tempo com ele, e quase tudo me diz que poderíamos ser felizes juntos. E ainda assim, hesito. Será que estou a ser estúpido? Que estou a adiar ou quem sabe até a desperdiçar uma coisa que poderia ser tão boa? Ou será que esta necessidade que talvez tenha ainda de espaço deve ser alimentada como algo de essencial?
Não sei. Tenho de continuar a explorar-nos. E é o que vou fazer. Desde que ele o permita, claro.

Outro dos dados adquiridos em que o meu dia a dia se baseou nos últimos meses desapareceu também sem aviso. A pessoa de quem me separei entrou de seguida numa relação. Estava com outro. E digo estava, porque esta semana essa relação terminou de repente.
Em mim, o primeiro impacto foi grande. Não por pensar que ali estava a minha oportunidade de voltar a ter algo. Aliás isso, o constatar de não querer voltar para ele se por um acaso me fosse dada a oportunidade, foi uma das coisas que me surpreendeu um pouco, apesar de tudo, e me fez perceber que já ultrapassei essa fase. O que me abalou foi ver alguém por quem tenho um carinho enorme praticamente no mesmo estado em que fiquei dois meses atrás. Olhar para ele foi quase como ver-me ao espelho.
Sei como nos sentimos na situação em que ele se encontra. As nódoas negras, embora esbatidas, ainda são visíveis na minha pele. E não queria que ele estivesse a passar pelo mesmo.

Tento dividir-me para dar atenção a ambos. Tanto um como outro, a meu ver, teriam direito à minha presença completa, coisa que não posso dar neste momento. Espero estar a conseguir dar a um o apoio de que precisa e ao outro a atenção que merece.

Há poucos dias, estava a recuperar de uma relação que terminou. Neste momento, tento ajudar um Amigo a passar por um período difícil, enquanto catalogo cá dentro os sentimentos por uma nova pessoa. Será que o fim com o primeiro não me deixa avançar de cabeça para o outro? Ou ainda é simplesmente muito cedo para dar esse passo? Queria ter certezas. Não quero uma relação com pés de barro. Não quero dar-me completamente mais uma vez para ter daqui a umas semanas de reajustar novamente a minha vida a estar sozinho.

E no meio de tudo, tenho tentado ser o mais transparente possível com os envolvidos. Sem usar máscaras. Ser apenas eu.

Pouco tempo atrás, em conversa com alguém surgiu o pensamento. Quando era pequeno, pensava que a parte mais difícil quando fosse crescido seria pagar as minha contas e ser independente. É complicado, sem dúvida. Mas a parte realmente difícil é navegar entre sentimentos, meus e dos que me rodeiam. Fazer deles algo que valha a pena ser vivido, e respeitar os outros no processo.

O homem em mim procura respostas.

terça-feira, março 07, 2006

Com Máscaras



Há cerca de 25 anos atrás, estava-se numa altura de bombas de mau cheiro e insectos de plástico. De bisnagas, bombinhas e estalinhos. Numa época em que ainda não era proibido comprar artefactos pirotécnicos em qualquer papelaria, uma fiada de bombinhas chinesas era o deleite de qualquer miúdo.

Como para todas as crianças, a ideia de andar vestido com uma roupa de fantasia, ainda mais fornecida por um crescido, era para lá de excitante. Era juntar ao mundo de sonho o seu reflexo no mundo real. Era poder ser um palhaço, um índio ou um mágico. Era mesmo por vezes usar apenas uma caraça e fingir que estava mascarado da cabeça aos pés.

Nunca usei fantasias muito elaboradas. Os tempos não estavam para isso e não haviam em hipermercados fantasias prontas a vestir para as massas. Até não era assim tão comum mascarar-me a rigor. Mas o Carnaval estava lá, nas serpentinas e papelinhos, nas máscaras de plástico e nos dentes de vampiro. E eu, a mana e os primos divertiamo-nos à grande.

É claro que a perspectiva de sair à rua e levar com um balão de água ou com um ovo (mesmo sem ser podre) no topo da cabeça me assustava. Pelo confronto, tanto como pelo ridículo. Não era capaz de o fazer aos outros, a não ser de longe. Largar balões tipo bomba de um terceiro andar com o meu primo, fazendo pontaria aos transeuntes que passavam lá em baixo, era uma aventura que resultava em pessoas indignadamente molhadas e risos abafados (mas a bandeiras despregadas) de putos agachados no fundo da varanda.

O miúdo ficou para trás com o passar dos anos, no exterior, pelo menos. Se há uma coisa que sei sobre mim, para o bem e para o mal, é que muito desse puto ainda está cá dentro. Mas em relação ao Carnaval, com grande pena minha, fui perdendo a vontade das brincadeiras da época e, pior, de me mascarar. Talvez porque em alguns sentidos comecei a ter de usar máscaras a tempo inteiro. E assim deixei de pôr a realidade à prova por algumas horas e tomar o lugar de outro que não eu.

Até este ano. Decidi que ia fazer qualquer coisa. Desse lá por onde desse, não ia deixar passar mais um Carnaval em branco. Mas fazer o quê? Um disfarce a sério é um investimento de tempo e dinheiro bastante pesado. Ir com uma coisa a meio gás não tinha piada nenhuma; não há nada mais deprimente do que uma mascareta feita em casa às três pancadas.

E então lembrei-me de uma máscara interessante: porque não vestir a pele de uma daquelas pessoa que dão ideias? Inventei uma máscara fantástica (sendo que aqui o termo fantástica está a ser usado de forma extremamente liberal) e passei a ideia aos meus amigos. E surpreendentemente, eles alinharam. É o desespero, meus senhores.

O dia de Carnaval transformou-se para este ano no dia da Risca Vermelha. Alguns dos meus amigos assumiram o papel de outras riscas coloridas. Juntos, formaríamos um arco-íris. O conceito de bandeira acabou por não resultar por aí além. Mas o importante é que fizemos alguma coisa. Que mesmo só de t-shirts coloridas e cabelo a condizer, nos divertimos bastante e entrámos no espírito do dia. E que ao som do samba nos misturámos com negros de gosto por roupa duvidoso, divas fabulosas, piratas, gatos e cowboys, para criar uma noite que não vou esquecer tão cedo.

O puto em mim ficou satisfeito.

segunda-feira, março 06, 2006

Masks ON | Masks OFF

Supostamente, o Carnaval é uma época em que as pessoas se escondem atrás de máscaras diversas, ou se libertam atrás de máscaras diversas. É a época de ser o que não se é. Altura de mudar por fora, e até por vezes por dentro. Mas será que era preciso chegar ao extremo de numa semana tudo se alterar de maneira drástica?

É surpreendente perceber que a mudança dos disfarces foi superada pelas mudanças de status quo que se operaram à minha volta e cá dentro. A realidade tomou o Carnaval de assalto e usou-o para mascarar o que se passou. O problema agora é decidir se tudo é real.

Vou tentar separar em dois capítulos o âmago da semana passada. O primeiro, “Com Máscaras”, é a experiência de Carnaval em si. O segundo, “Sem Máscaras”, é a essência do que se passou por detrás delas.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Realeza e Vegetais

Num post breve, e enquanto não completo a experiência carnavalesca deste ano, que ficará certamente registada nos próximos dias, fica um apontamento alusivo ao espírito da época.

Espero que tenham o som bem alto! :)

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Memórias de uma Geisha

"Estas não são as memórias de uma rainha. Estas são memórias de um tipo diferente..."


Uma paleta de cores hipnotizante, espalhada na tela como se de um quadro se tratasse, pinta delicadamente o retrato de um espaço e tempo remotos pela sua distância cultural, com regras e costumes tão diversos dos nossos que é difícil colocarmo-nos na pele das personagens. E no entanto, por baixo dessas diferenças existem os mesmos sentimentos, as mesmas aspirações com que vivemos dia a dia.
Esta é a história de uma mulher, construída em torno de um sentimento. De um propósito.

Chiyo é vendida em criança pelo seu pai, juntamente com a sua irmã, a uma casa de geishas. A irmã não é aceite, sendo vendida a uma casa de prostituição, e Chiyo encontra-se sozinha no mundo. Mas cairá ainda mais baixo. Os esquemas de Hatsumomo, a mais célebre geisha da cidade, que a vê como uma ameaça potencial, têm os seus frutos: nunca será uma geisha, nunca passará de uma escrava.

A menina perde toda a esperança. Para ela, a vida acabou. Até que um dia, um homem que não conhece lhe fala com bondade e lhe oferece um gelado. Fascinada por ele, Chiyo decide que um dia será ela a estar no lugar das mulheres que o acompanham. Um dia, será uma geisha, custe o que custar.

Chiyo é a água espelhada nos seus olhos azuis. Adapta-se, procura um caminho por entre as rochas que formam o seu horizonte. A sua oportunidade surge anos depois, quando Mameha, a rival de Hatsumomo, a procura com o intuito de a tornar sua aprendiz. Em pouco tempo, ensina-lhe toda a arte de ser uma geisha. Culta, educada, bela, sensual, uma geisha é uma obra de arte viva, para ser desejada, apreciada pelos homens. Logo, e apesar da inveja de Hatsumomo, que continua a querer arruiná-la aos olhos de todos, Chiyo renasce como Sayuri, tornando-se tão famosa e cobiçada que a sua virgindade acaba por ser vendida pelo valor mais alto de sempre.

Mesmo assim, Sayuri vai descobrir que o destino continua a levá-la para longe da única coisa que deseja: o amor do homem que um dia levou a esperança de volta à sua vida.

Para alguns, o amor é a queda. Para Hatsumomo, amar estava-lhe vedado pela existência que a escolhera. No final, o sentimento destrói-a. Por dentro, assim como por fora. Mameha vive a sua vida sem ceder ao amor secreto que tem pelo seu patrono, e que não podea demonstrar, até que este se suicida depois da queda do Japão na II Guerra Mundial. No final, apenas lhe resta a vida vazia de geisha.

Para outros, o amor é a redenção final. “Todos os passos que dei foram em direcção a este momento”, diz Sayuri ao Administrador. A água encontra por fim o seu curso.

Um filme belo como poucos.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

De pára-quedas

E de um dia para o outro, tudo muda.

Na segunda-feira tive um café simpático. Ontem tive um jantar mais simpático ainda. Com alguém que me parece uma pessoa que gostaria de conhecer melhor. Alguém que (hipoteticamente) poderia vir a significar mais para mim.

Estou a entrar por um caminho que pensei não trilhar tão cedo. Talvez por isso seja complicado; ainda vou carregado com a bagagem dos últimos meses.

Desde ontem que digo a mim mesmo que é bom passar por isto. Porque é, na realidade. Estou a recordar-me como é bom começar a conhecer alguém. Ver um sorriso na cara do outro e perceber que está a gostar genuinamente de estar ali. E perceber sem olhar para o espelho que estamos a sorrir também.

Mas a dúvida está lá. Estou a gostar da pessoa pelo que ela é? Ou estou simplesmente a tentar preencher o vazio que ainda tenho na minha vida?

Tento pôr em ordem os meus sentimentos. E tento seriamente não brincar com os sentimentos de ninguém. Ainda é extremamente prematuro dizer se poderá ser algo mais sério. Por isso, vou deixar rolar, mas com muita calma.

Uma coisa é certa. Ganhei um novo amigo. Só isso já é motivo para estar feliz.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Fim de Semana

A minha vida social foi de vento em popa (trocadilho náutico apropriado, como se vai ver à frente) este fim de semana.

O final de sexta-feira teve alguns pontos menos bons; felizmente, Sábado e Domingo foram bem mais preenchidos do que é normal ultimamente. E não houve uma parte que se pudesse dizer que foi má. Para resumir, o programa das festas foi o seguinte:

Parte 1: Sábado

Como tenho o rádio na Antena 2, o despertar foi com uma entrevista com uma senhora idosa que contou como era a vida lá numa quinta no tempo do D. Miguel. Bem giro. Fast forward… Almocei comida da mamã e rumei a Lisboa, supostamente para procurar fato de Carnaval para mim. Quase que chegava à loja, mas desencaminharam-me para tomar café. A tarde foi muito agradável, na baixa, e depois passámos os dois à FIL. Cortesia da mana, que estava num dos stands, entra a Nauticampo.

Nauticampo. Uma feira nos pavilhões da FIL. Com barcos, barcos, e mais barcos. E caravanas, também, e tendas. A exposição tem barcos inacreditáveis. As caravanas também são fantásticas; só apetece pegar numa e dar uma volta sem destino, durante um mês ou dois. São coisas que nos fazem sonhar, e perceber que nunca seremos ricos. Admitamos, a maior parte das coisas em exposição era basicamente inatingível. Isto inclui a secção dos fuzileiros que acompanhavam um helicóptero e um tanque de mergulho, também expostos. Ai, ai…

Fugimos da FIL debaixo de chuva, o que teve bastante mais piada, claro. Despedi-me da companhia para ir jantar com vários outros amigos. Depois da refeição, um chá calmo, seguido do aparvalhar desvairado que às vezes também é preciso (se bem que por vezes chega a pontos em que seria necessário usar uma arma de tranquilizantes – mas quem se está a queixar? :) ).
A noite terminou no T., onde a música não esteve nos píncaros mas também não foi de se deitar fora. Deu para dançar um pouco…


Parte 2: Domingo

Acordei com uma mensagem. Uma boa mensagem. Preguicei um bocado, o que também considero uma parte boa do fim de semana. Fiz um almoço para lá de bom (especialmente porque não deu muito trabalho). Apesar da chuva saí de casa, e fui visitar o meu afilhado, que já não via há quase dois meses. Brinquei com o puto, que consegue ser metade terrorista, metade anjo, e divertimo-nos à brava com esgrima – ele vai mascarar-se de príncipe no Carnaval – e bebemos sumo de manga. Loucura total!
Vai de ir para Lisboa de novo, desta vez para jantar com o Pedro, e ir depois ao S. Luís viver uma das noites mais hilariantes da minha vida. “As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos”, da responsabilidade da Companhia Teatral (Reduzida) do Chiado, é uma coisa completamente fora do normal. Não há maneira de descrever uma experiência que está em cena à 10 anos, sempre esgotada. Se não conseguirem bilhete, não sou eu que vos vai conseguir explicar o que estão a perder.

E no finalzinho da noite, depois de voltar para casa, ainda houve tempo para um chat acompanhado de chá. Hummm…

domingo, fevereiro 19, 2006

Um café e um amigo

Reencontrei um amigo.

Um amigo que não queria perder.

Não falámos de tudo, mas tudo o que falámos tinha um gosto de familiaridade. Não foi estranho, foi perfeitamente natural, como se o interregno não estivesse lá.

Gostei do café. Gostei de andar à caça de acessórios de Carnaval. Gostei de ver barcos e caravanas. Gostei de fugir da chuva.

Senti-me à vontade com ele, e acho que ele também sentiu o mesmo comigo.

Agradeço-lhe. Por me ter convidado para o café. Por me ter acompanhado à exposição. E principalmente, por certas delicadezas que teve para comigo, consciente ou inconscientemente.

Obrigado, amigo.

sábado, fevereiro 18, 2006

Unvalentine

Hoje tive de dizer não a alguém.

Fazer desmoronar uma parte dos seus sonhos, roubar-lhe algo a que se agarrou, soube-o à pouco, por bastante tempo.

Disse-lhe que tinha feito o melhor em dizer-me. Que era preferível saber finalmente com certeza que não valia a pena ficar a pensar em mim como algo mais do que um amigo. Que assim podia seguir com a sua vida.

O pior é que não tenho a certeza que tenha sido o melhor. Que, pelo que ficou implícito, para ele talvez fosse melhor ter-me ali eternamente como uma possibilidade do que saber claramente que a única coisa que poderá ter de mim é uma amizade. Que nunca teve alguém que o amasse verdadeiramente, e que apesar de ainda ser bem novo, me via como uma última oportunidade.

Custou-me perceber isso, como me custou dar-lhe a resposta. Via-me no lugar dele, se as posições se invertessem. Tive de lhe dizer, claro. Mas sei que lhe causei dor. Desilusão, pelo menos.

Espero sinceramente que ele venha a perceber um dia, como eu percebi, que mesmo no nosso mundo há lugar para amor verdadeiro. Pode não ser eterno, pode transformar-se numa amizade, pode até acabar simplesmente, mas é amor enquanto dura. E que esse amor virá para ele também, e será correspondido. Acredito que todos temos direito a alguma felicidade.

E não, não me esqueci que ainda estou a recuperar do último. Mas esse mesmo último, com fim e tudo, teve muito que me faz acreditar em cada palavra que acabei de dizer.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

O primeiro jantar

Em quatro anos que tenho a minha casa, e a comprovar a minha predisposição para evitar tomar iniciativas de cariz social, nunca dei nenhum jantar para mais do que duas pessoas.

A casa é pequena; não cabe muita gente ao mesmo tempo. Não há tempo para essas coisas, anda sempre tudo a correr. A comida que faço é desinteressante na melhor das hipóteses, intragável na pior.

Tudo razões válidas para não fazer jantares, e verdadeiras. E ao mesmo tempo, tudo desculpas.

Sim, quebrei finalmente o tabu de organizar um jantar lá em casa. Talvez organizar seja uma palavra um bocado forte. Mas dei um jantar. Não me apetecia nada passar a noite de S. Valentim sozinho, a lembrar o ano passado e a imaginar o que inevitavelmente teria de me passar pela cabeça, com outra pessoa a ocupar o lugar que era meu então. Para isso, já me chegou bem o dia, obrigado. À última da hora, e com o empurrãozinho de uma das minhas Amigas, decidi que iria estar com pessoas de quem gosto, e que como eu não têm a sorte/felicidade/casualidade/frete (riscar o que não interessa) de ter alguém com quem compartilhar as habituais lamechices desta data (e sim, G., eu sei que as datas pré-definidas só nos afectam se deixarmos – processa-me).

Mesmo assim, couberam ao todo para jantar sete pessoas lá em casa. O tempo arranjou-se, mesmo a um dia de semana. E não foi pela minha comida que as pessoas lá foram.

Foi um bom jantar. Não pela excelência do menu, se bem que ninguém se queixou. Os convidados passaram uma noite muito agradável, segundo palavras dos mesmos, e eu também. Toda a gente quis ajudar, desde o jantar até ao tirar dos cafés na minha máquina nova – e que tourada que isso foi! :) Obrigado a todos os que estiveram presentes, por me terem dado o prazer da sua companhia. E outros houveram que não foram convidados por circunstâncias diversas – mas que estiveram lá em pensamento, acreditem-me.

No fim ficou apenas uma pontinha de mágoa. Porque no dia em questão não poderia evitar pensar nos “e se...”, não pude deixar de me perguntar porque não dei eu um jantar, por exemplo, quando ainda namorava. Falei nisso ao meu ex (continua a ser estranho dizer isto, embora cada vez menos) algumas vezes, mas a receptividade da parte dele foi nula, como foi aliás a muitas outras coisas agora para o fim, mas isso já ultrapassa o assunto em aberto. Teria sido giro partilhar a organização de um jantar à séria com ele, trabalharmos os dois para isso, e como diz a querida Shakira-ou-aquela-moça-obcecada-com-os-seus-seios-pequenos: “When the friends are gone / When the party's over / We will still belong / To each other”. Mas não aconteceu.

Este jantar é também um ponto de mudança para mim. Primeiro, porque agora que comecei, já não quero parar. Haverão mais jantares. E depois, porque começo a conciliar partes da minha vida que até aqui nunca se misturaram e que pelos vistos ligam lindamente (juntando uma amiga de longa data com os meus amigos alegres). Um pequeno marco num caminho que tenciono seja daqui para a frente cada vez mais pautado por uma evolução da minha parte e por uma variedade que abra cada vez mais os meus horizontes.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Estranho


Fico acordado à noite, com um estranho dentro de mim.
Não o conhecia, não me reconheço,
A este estranho, que ficou quando tu foste,
Que conta as horas até te ver de longe
E que olhando para ti vê outro estranho
Com olhos que já não são meus.

Não durmo; mas também não estou desperto.
O outro que deixaste comigo
Chama por ti,
Chama pela forma que deixaste impressa na minha cama.

Levanto-me, mas não consigo erguer-me.
Talvez devesse apresentar-me, a este estranho,
E trapacear atalhos para fora de ti.
Tento fazer um mapa da face
Que me fita agora no espelho e não me fixa;
Experimento tocar-lhe, mas é água, é fumo, é mentira.

Abomino-o.
Queria querer bani-lo
Ao fantasma que ocupa o meu lugar
Preso a um lugar onde só tu pertencias
Mas não posso.
Afinal, não há nada para além dele.

Nele só há uma constante que percebo
Não é dor
É só o vazio
A que este estranho chama vida.



domingo, fevereiro 12, 2006

sábado, fevereiro 11, 2006

Uma razão para acreditar

Trinta e dois anos, feitos ontem. Lado a lado, sem grandes tormentas. Com um amor um pelo outro que é calmo, desde que me conheço como gente, mas que é cheio de ternura e nunca vacilou. Nem todos os dias são de felicidade infinita; a vida traz-nos sempre pequenos problemas e contrariedades. Há chatices entre os dois. Apesar de os feitios se complementarem, há choques ocasionais, como é inevitável entre duas pessoas que partilham um dia a dia, uma vida. Mas nada disso dura, porque no fundo eles partilham mesmo essa vida. Escolheram passar por este mundo juntos, assumiram esse compromisso, lutaram por vezes para que isso pudesse durar todos estes anos.

Aos meus pais, agradeço por se amarem. A esses dois Seres que adoro, mesmo que se calhar há muito tempo não o diga por palavras, tenho a agradecer mais coisas do que seria possível enumerar, mas hoje agradeço-lhes pela dádiva de me permitirem ainda acreditar que é possível encontrar alguém que nos complete e queira percorrer esta estrada de mãos dadas.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Men at Work

Está tudo de pernas para o ar no trabalho.

Anda-se em obras. O chão de duas salas teve de ser substituído, devido a uma inundação que há algum tempo atrás fez levantar os tacos, e enquanto os homens trabalham paira uma nuvem de poeira pelo escritório. Entranha-se em tudo. Entra pelas narinas. Não temos servidor porque teve de ser retirado de uma das divisões, por isso trabalha-se a meio vapor. Durante a pausa, bebeu-se o café em pé; as cadeiras da copa estão soterradas com tralha (vulgo pastas).Tive de receber um fornecedor no meio da confusão, examinando a proposta dele em cima da máquina das fotocópias que neste momento está perto da porta de entrada.

Nota 1: A proposta do fornecedor teve mesmo a ver com materiais, e não com o que quer que estejam a pensar.
Nota 2: É pena porque a pessoa era muuuito interessante...

Vamos lá ver se amanhã já se recomeça a trabalhar normalmente, sem o barulho da serra circular a maltratar-nos os tímpanos. Não me apetecia muito ter de levar protectores para ouvidos e máscara para o pó.

Orgulho e Preconceito

Uma história de amor. Não era o que estava previsto ir ver. Mas ainda bem que fui.


O cinema tem destas coisas. Quando o filme é bom, transporta-nos para outra realidade, mostra-nos pedaços de vidas que são reais enquanto estão ali à nossa frente. Passei por um portal desses neste fim de semana. O amor contrariado pela sociedade do século XIX, mas mais ainda pelos próprios a quem pertencia, foi um doce para mim.
Porque o filme era belíssimo, com imagens que hipnotizavam e uma atmosfera que envolvia os sentidos.
Porque Lizzie era vibrante, linda, sonhadora e Darcy fechado, taciturno, e completamente comovente na sua incapacidade de dar a conhecer os seus sentimentos, e ainda assim sabíamos que o seu destino era ficar juntos.
Porque apesar de nunca se tocarem, a energia e atracção que envolviam o par cada vez que estava junto no ecrã era palpável.

Porque ri, e chorei.

E porque bem precisava de uma história de amor com final feliz.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Paredes de Coura

Pernoitei por lá ontem, por motivos profissionais. Não havia lá nenhum festival de rock, como é natural, porque estamos no meio do Inverno. Mas também não havia uma aldeia atrasada e rural, como esperava encontrar.

É uma vila a crescer, talvez aproveitando a notoriedade que o dito festival lhe dá. Tem toda uma zona central completamente modernizada, com estacionamentos subterrâneos, um novo centro de saúde, urbanizações novas, vias perfeitamente urbanizadas, uma ciberloja para o pessoal jogar online ou navegar na net, enfim...

Os acessos à vila e a zona mais periférica são outro assunto, naturalmente. A estrada continua a estar no patamar a seguir ao caminho de cabras, e os arrebaldes continuam a ser uma perfeita aldeia do norte, com os seus muros de pedra e casinhas a condizer. Com vacas a pastar e tudo.

O que também me surpreendeu um pouco foi a quantidade de gente nova misturada com os idosos que se via por lá. Tem-se a ideia que fora dos centros urbanos a população é maioritariamente envelhecida, mas não era o que parecia.

E as pessoas com quem tive contacto foram todas muito simpáticas. Achei que talvez não fosse assim por ser o peixe fora de água, um mouro, enfim. Talvez seja só assim no Porto, não sei... :)

Parece que Paredes de Coura vai bem lançada. Claro que não conheço nem faço tenções de conhecer a economia da região, mas a julgar pela capa, este livro tem uma boa estória lá dentro.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Levámos outra sopa



Desta vez foi de feijão.
Ainda não foi desta que a mana ganhou.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Um mês

Am I all alone in the universe?
There's no love on these streets
I have given mine away to a world that didn't want it anyway
So this is my new freedom
It's funny

I don't remember being chained
But nothing seems to make sense anymore

Without you I'm always twenty minutes late



Savage Garden

domingo, janeiro 29, 2006

Já pegou?...



Por esta altura já passou na televisão o programa… Ainda não vi, mas pedi para gravar… tanto para ver se me vejo a mim ou à mana como para perceber se vai resultar como concurso ou não. Voltemos ao relato.

Os vinte e seis concorrentes que compunham o sector vencedor passaram à fase seguinte, a fase das perguntas, onde apesar de tudo sempre convém saber mais que os outros. Se bem que à sorte também funcione, como era o caso do simpático André, que (quase) passou à final. Mas antes estivemos à espera um bom bocado que 26 almas tivessem um sound check individual dos seus microfones. Por esta altura já havia uma confraria de várias pessoas à minha volta que reclamava animadamente, muitas vezes apenas por princípio (eu inclusive – as desgraças unem muito as pessoas, e soltam línguas).
As regras desta parte do concurso estão um bocado mal explicadas. Pelo menos na gravação, não fazíamos ideia quem ia à frente, apesar do Unas dizer “Você foi a mais rápida” ou “Muito bem, Ana!”. E foi assim que fomos informados que já haviam duas escolhidas para passar à semi-final.
Mais tempo. As raparigas foram ser maquilhadas. Pelo menos uma delas bem que precisava. Fiquei com mais respeito pelo trabalho dos caracterizadores depois de ver o resultado final.
Vamos então saber coisas sobre a vida das finalistas. Parece que vamos passar mais um bocado com elas. Ou não.
É aqui que as coisas se tornam ainda mais estranhas. Até este ponto, cada eliminatória decidia-se com várias perguntas, talvez não as mais inteligentes, mas pronto. Agora, o jogo era outro: a decisão depende de uma única pergunta (!), uma... conta. Diga lá quanto é 220 x 2 – 12, depressa e bem, e vai abrir malas. Erre, e vá para casa.
A moça carregou primeiro, engasgou-se no resultado. E foi para casa.
Ficou a algarvia. Entraram as malas. Passámos à fase final do concurso.

Naturalmente, não foi assim tão instantâneo. A acompanhante teve de ser maquilhada também. Mais uma boa demora. E tiveram de desalojar um casal do seu lugar para ela se poder sentar frente às câmaras (para o tal lugar que devia ter sido meu, meu!).

A mecânica é a seguinte: existem 26 malas, com diferentes quantias em dinheiro, de 1 cêntimo a 300.000€. O concorrente escolhe uma, que fica a ser a sua mala. A partir daí vai abrindo malas, primeiro seis, depois cinco, e assim sucessivamente. Cada vez que se acaba de abrir uma série, é oferecida uma quantia para ficar por ali, que tem a ver com o dinheiro que ainda resta nas malas por abrir. Se aceitar, o jogo acaba. Se for até ao fim, ganha o que estiver na que escolheu inicialmente.

Esta negociação desenrolou-se. Relativamente rápido, graças aos céus. O telefone de modelito ultrapassado como uma tartaruga na auto-estrada tocou várias vezes, atendido com malabarismos por parte do nosso anfitrião da noite. A finalista (esquece-me o nome dela; se alguém fizer questão de saber ligue para a produtora) decidiu ficar pela oferta de 25.000€, que já é uma bela quantia, apesar de toda a gente na plateia gritar “Larga! Larga!”. Acho que a plateia gritaria “Larga!” até à última mala. É sempre mais fácil arriscar o que é dos outros. Infelizmente para ela, com a simulação da continuação do jogo, comprovou-se que poderia ter ganho até mais de 90.000€. Paciência. Não se adivinha, não é?

Trouxeram o cheque para ela. A amiga acompanhante veio até ao plateau, para a felicitar. Trocaram beijinhos e já o macho do meu vizinho do lado dizia que o dinheiro era mal empregue; afinal ia financiar a lua de mel das duas mocinhas. Enfim, mais uma prova que os homens só pensam em mulheres e sexo, e muitas vezes em mulheres a ter sexo umas com as outras. Ah, e também pensam e carros e em futebol, mas não sei como encaixar isso aqui.

Foi o fim do programa e da gravação. Era 1h da manhã. Eu e a mana voltámos ao autocarro, fizemos o caminho de volta, chegámos a casa por volta das 2h30, depois de 500 anos à procura de estacionamento e de ter deixados os carros em cascos de rolha.

Balanço da experiência: gostei. Houveram partes maçadoras, principalmente os compassos de espera. Mas foi uma noite diferente. E uma vez que a mana vai lá voltar, pelo menos mais uma vez, não está tudo perdido… Ainda posso vir a ficar no lugar de honra do acompanhante.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

...Ou Largar?

Rui Unas. Vinte e seis modelos em trajes reduzidos com malas de dinheiro. Cento e cinquenta e seis concorrentes e respectivos acompanhantes aos gritos.

É o Pegar ou Largar!

Já tinha ido a gravações de programas antes. Tudo concursos. Mas já foi há algum tempo; o primeiro tinha sido ainda estava nos primeiros tempos da secundária. Claro que nunca fui participar, apenas assistir.
Mas este foi diferente. Este tem uma logística distinta dos anteriores. Não há meia dúzia de concorrentes, mas sim mais de 150. Cento e cinquenta e seis pessoas, a dobrar porque cada uma leva um acompanhante! Um feito conseguir que toda aquela gente vá ter ao estúdio, seja alimentada, se sente ordeiramente nos seus lugares, e depois colabore no programa com boa disposição.

Vamos por partes. Fui ter com a mana a Lisboa, e consegui chegar a horas(!) para embarcar num dos autocarros que nos levaram aos estúdios onde o programa foi gravado. Foi uma viagem de meia hora, sem incidentes, onde deu para perceber que vinha pessoal do Porto ou de Portimão, por exemplo, para participar no programa. Gandas malucos!
Chegámos ao recinto da produtora, onde nos esperava uma tenda, tipo casamento, onde nos deram uma sopita e um farnel. O pessoal parecia que estava na tropa, tudo na fila para receber a malga de sopa (Juliana. Bastante comestível). Aí a mana teve de preencher uma autorização a ceder os direitos de imagem. Eu não assinei; acho que depois de me ver na televisão vou tentar processar a produtora e sacar-lhes montes de dinheiro.
Depois de uma boa espera, levaram-nos até ao estúdio. Por fora parece um hangar. E é grande. Não tão grande como vai parecer na televisão, claro. O decór tem a sua piada, com alguns jogos de luzes (no mesmo estúdio estava guardado o cenário do programa do Herman – que ao vivo ainda parece mais pindérico).
Faço aqui um aparte para dar uma vez mais graças por não ser mulher. Tive de ir à casa de banho e a fila para o WC feminino era do tamanho da dívida externa de vários países sul-americanos combinados.
Finalmente, toda a gente sentada nos seus lugares. Tudo bem disposto mas ainda um bocado morno; aí entra o animador de serviço, ali exactamente para descontrair o ambiente e fazer o pessoal bater palmas e gritar nas alturas certas. E depois de tanto bater palmas na deixa, no final da noite estava com as mãos em brasa.
Por falar em brasas (ao que uma pessoa desce para escrever um texto com interligações inteligentes!) a primeira cena a ser gravada foi a das meninas a entrar com as suas malas, em fila indiana e arrumando-se no palco, culminando com a entrada do anfitrião. Ovação em pé, gritos e tudo. Tudo espontaneamente orquestrado. E repetido, porque uma das meninas tropeçou ao sair. C’est la vie.
Logo começámos a participar. O inefável Unas fez perguntas a que os concorrentes respondiam carregando num comando, bancada azul contra bancada vermelha. Nós, na qualidade de acompanhantes, podíamos apenas aconselhar.
A mana ficou logo por aqui. Ganhou a outra bancada. Nesta fase do jogo (como aliás no concurso quase todo) o saber individual de cada pessoa tem pouco a ver com a passagem à próxima fase; a sorte é que manda. Sorte de os companheiros de bancada não serem burros. Sorte de conseguir carregar mais cedo do que os outros. Sorte de acertar nas (poucas) perguntas que realmente contam, porque as outras são tão fáceis que toda a gente acerta.
Assim, com a bancada azul with the blues (mais um trocadilho de grande gabarito e internacional, ainda por cima) por ter perdido, passaram a degladiar-se os sectores 1, 2 e 3, que compunham a bancada vermelha. Não digo o resultado para manter o suspense para quem por acaso quiser ver, mas não foi o 2 que ganhou. Nem o 3.


E ainda não acabou...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Vai Pegar...

Devido a dificuldades técnicas (no net at work), não postei o seguinte ontem. O que realmente se passou lá vem mais tarde...


A mana pediu-me para ir hoje com ela a mais um concurso. É a nova sensação da SIC, o Pegar ou Largar, com o infame Rui Unas, o sr. Cabaret da Coxa. Aceitei, porque pensei que a minha função como acompanhante seria só mesmo isso: ir acompanhar. Mas ontem à noite percebi que afinal tenho de me sentar no meio do maranhal, em frente às câmeras. Que, se por um acaso, a mana for a finalista, vou ficar numa bancada especial com um holofote apontado em cheio para mim, a dar-lhe conselhos sobre quantias de dinheiro (supostamente) elevadas. E desconfio que também vou ter de falar com o Unas, em diferido e a cores. Com os meus problemas em falar em público (ou seja, com alguém!), nem quero pensar nesta hipótese.
Claro que vou torcer para a mana conseguir chegar ao final do programa. Era muito giro ela conseguir ser a primeira no meio de tanta gente. E davam jeito as massas que se podem ganhar. Mas ficar nas luzes da ribalta assim de chofre, ali, eu e as câmeras... Podia ser o tratamento de choque que me anda a fazer falta ultimamente. Ou não; podia ser apenas uma situação completamente stressante. Era um ou vai ou racha. Um pegar ou largar...

domingo, janeiro 22, 2006

Prognósticos, só no fim do jogo

O jogo de cartas correu bem. Fiquei em 15º lugar num total de 90. Nada de especial, mas pelo menos não fiquei no fundo da tabela. É claro que não fui lá para ganhar, mas uma pessoa sempre gosta mais um pouco se não perder os jogos todos...

Foi cansativo. Passei o dia inteiro numa cave, até às 9.30 da noite. O meu alimento durante o dia foi um saco de bolos entre rondas, porque não havia intervalo para almoço. De tanto estar sentado, nas últimas rondas já era difícil arranjar posição. E a cabeça também já estava cansada, mais para o fim. Tornava-se difícil concentrar-me.

Mas gostei, como de costume. Foi um dia a fazer uma coisa que gosto de fazer, uma mudança de cenário. Joguei com pessoal simpático, que estava lá também para se divertir; às vezes apanha-se um estúpido ou outro que é picuínhas ao máximo com as regras e só está ali para ganhar a toda a força, mas não foi o caso. Puxei pela cabeça para fazer um baralho que pudesse safar-se (as cartas que me calharam não ligavam muito bem), mas consegui. Até não ficou muito mau. :) E os jogos em si foram divertidos, os dois lados a puxar pela cabeça e às vezes fazendo jogadas que deixavam o outro a pensar "Hei, isso foi giro! Nunca me teria lembrado disso!".

O balanço final é positivo. Diverti-me. A próxima vez é daqui a 4 meses. E eu vou lá estar.

sábado, janeiro 21, 2006

Encartado


Amanhã de manhã tenho de me levantar cedo. Provavelmente vou-me levantar antes da hora a que acordo aos dias de semana. E para quê, levantar-me tão cedo a um Sábado?

Ora, para ir jogar às cartas, claro.

Há uns anos, andava eu na faculdade, cruzei-me com um jogo um bocado estranho para a altura. Uns tipos lá do sítio andavam com uns baralhos de cartas que não lembravam nada o jogo da sueca. Cada um desses baralhos tinha cartas diferentes, com desenhos fantásticos, e com palavreado que para mim na altura queria dizer muito pouco.
Vi-os jogar uma ou duas vezes. Aquilo interessou-me; sempre fui virado para a fantasia, para criações que nada tinham a ver com a realidade. E ali estava um jogo que juntava essa vertente com uma parte táctica. Tinha de se pensar para ganhar. Tinha que se ser mais esperto do que o adversário. E eu, que nunca fui muito dado a competições porque sempre fui uma nódoa a desportos físicos, podia jogar.
Comprei um starter deck, basicamente um conjunto aleatório de cartas, e com elas fiz o meu primeiro baralho. Não era grande coisa. Com tão poucas cartas por onde escolher, e com a minha experiência nula para perceber o que escolher, não admira. Mas era o meu baralho. Agora podia experimentar, jogar com os outros. E foi o que fiz.
Tirando os meus colegas de turma, os meus parceiros de Magic: The Gathering devem ter sido as únicas pessoas com que me relacionei na faculdade. E era excelente, juntar-me a eles horas no bar ou num dos átrios a jogar ou a trocar cartas. Era um hobby partilhado, um elo em comum com outras pessoas que gostavam de fazer o mesmo que eu. Nessa altura, isso tinha uma importância extrema. Era a sensação de pertencer a um grupo. A maior parte das pessoas tem essa fase mais cedo, no início da adolescência. Eu nunca tive. Sempre fui extremamente fechado. E como tinha outras partes da minha vida que não podia partilhar com ninguém, o que me fazia fechar ainda mais, talvez essa junção a um colectivo me tenha ajudado a manter um contacto social, se não activo, pelo menos descontraído.

Joguei. Comecei a comprar mais cartas, a aperfeiçoar baralhos e estratégias. Encontrei uma loja que era quase um clube de jogos, que passei a frequentar. Os donos eram porreiros, um deles era uma rapariga lindíssima que gostava de jogar (!) e seria das poucas que me levaria por maus caminhos (ai, Maria, Maria... :) ). Foi uma boa época.

A faculdade acabou. Há algum (bastante) tempo. A minha vida mudou, como é óbvio, e tempo e parceiros para jogar começaram a escassear. Deixei de comprar cartas a torto e a direito (o dinheiro que eu gastei em cartas!... que se lixe, tirei muito prazer delas) e deixei de fazer baralhos. Mas o bichinho ficou. Ainda gosto de jogar, de descobrir novas cartas, até de fingir que aqueles rectângulos de cartão em cima da mesa são criaturas verdadeiras que lutam umas com as outras em batalhas fantásticas.
Como fazer então, para jogar de vez em quando, para matar as saudades? Acabei por arranjar uma solução.
De tempos a tempos (geralmente de 4 em 4 meses) são lançadas novas cartas. No total, existem já largos milhares de cartas diferentes. Cada vez que é lançada uma nova expansão, fazem-se eventos de lançamento, os chamados pre-releases, com as cartas novas. E estes torneios funcionam numa base de sealed decks, ou seja, cada participante usa não cartas que trouxe de casa, mas cartas fornecidas pela organização (e que depois ficam para cada um), sendo o baralho com que cada um joga feito na altura. Pronto. Igualdade de circunstâncias para todos. Nada de trazer baralhos ultra-sofisticados. Nada de ter de comprar dezenas de starter decks e boosters para ter as cartas necessárias para um baralho afinado ao pormenor. Só perícia para retirar do conjunto de cartas que nos calharam em sorte um baralho que seja melhor que o dos outros. E o divertimento de perceber as mil e uma combinações das novas cartas entre si à medida que se vai jogando.

E pronto, é aí que eu vou estar daqui a umas horas. A comandar dragões, anjos e guerreiros numa batalha de proporções épicas. Ou a ser esmagado por uma horda de esquilos sanguinários. Nessas coisas, nunca se sabe.


Magic: The Gathering

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Let's get physical

Hoje voltei ao ginásio, depois de um mês e tal sem lá pôr os pés. Foi bom. Por duas horas fiz o que já não fazia há umas semanas, que foi esvaziar a minha cabeça de todos os pensamentos que ainda assombram a maior parte dos meus dias.
Cansei o corpo. Acalmei a mente. Custou porque um mês e tal enferruja. Foi óptimo porque a cabeça precisava de um relax.

E lavei as vistas. A vista é uma coisa muito importante num ginásio. :)

domingo, janeiro 15, 2006

sexta-feira, janeiro 13, 2006

13 and counting









Como é Sexta-feira, 13, não podia deixar de pensar em superstições. Eu acabo por ser supersticioso q.b. ... Tento sempre manter-me afastado de gatos pretos, por exemplo!
Vá-se lá perceber...

A culpa é do Bush

Na dúvida, devemos assumir que todos os males do Mundo são da responsabilidade desse simpático senhor, o Presidente dos Estados Unidos, George Bush.

Assim, e como me apetece descarregar em alguém, nada melhor do que dar-lhe uns tabefes, não é?

O Mundo agradece! :)

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Mais

O dia acabou agora.
Ainda bem.
Porque já não tinha espaço para mais.
Mais desilusão.
Mais falta de vontade de andar para a frente.
Mais degraus íngremes.
Mais nada.

sábado, janeiro 07, 2006

31 and counting



Sei lá, hoje faço anos mas não me apetece fazer um balanço da minha vida até aqui... Nos últimos tempos as coisas têm andado agrestes... em várias frentes... mas pelo menos tenho os meus amigos, que me dão todo o apoio que eu podia esperar e mais algum. Àqueles que se incluem nesta categoria, só quero dizer que os adoro e que me estão a dar muita força.
Amigos... não podia provavelmente falar nisso há alguns anos atrás, porque foi coisa que nunca deixei chegar até mim (com algumas excepções, claro, mas mesmo esses(as) só viam parte da minha vida porque eu as mantinha de fora). Mas eles vieram, e agora são parte de mim. Hoje tenho duas famílias. A minha família original, que adoro e não sei o que faria se não estivesse lá (e que me dá tanta força, apesar de na maioria ser mantida no escuro sobre algumas coisas...). E a outra, a adoptiva, de gente que é o meu mundo, a minha estrutura,um porto de abrigo. Se o passar dos anos nos possibilita trazer para a nossa vida pessoas que passam a significar tanto, então... venham mais uns quantos!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Um novo ano

“De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...”

(atribuído a Fernando Pessoa)


E assim começo...

segunda-feira, outubro 03, 2005

O meu erro preferido

O meu interior por hoje:

I woke up and called this morning,
the tone of your voice was a warning
that you don't care for me anymore.

I made up the bed we sleep in.
I looked at the clock when you creep in.
It's 6 AM and I'm alone.

Did you know when you go it's the perfect ending,
to the bad day I was just beginning.
When you go, all I know is you're my favorite mistake.

Your friends act sorry for me.
They watch you pretend to adore me.
But I am no fool to this game.

Now here comes your secret lover,
she'll be unlike any other,
until your guilt goes up in flames.

Did you know when you go it's the perfect ending,
to the bad day I'd gotten used to spending.
When you go, all I know is you're my favorite mistake
You're my favorite mistake.

Well maybe nothing lasts forever,
even when you stay together.
I don't need forever after, but it's your laughter won't let me go so
I'm holding on this way.

Did you know could you tell you were the only one
that I ever loved?
Now everything's so wrong.

Did you see me walking by, did it ever make you cry?

Now you're my favorite mistake
Yeah you're my favorite mistake
You're my favorite mistake

My favorite mistake
Sheryl Crow