quarta-feira, maio 20, 2009

Verdade ou mentira - La Femme Trompée

Foi isso que me pareceu que ela estava a dizer… Foi em francês, por isso bem podia estar a pedir-me direcções para uma praça de táxis, mas se a percebi correctamente…

Já me chegou a ligar uma esposa furiosa a descompor-me por dormir com o marido

Há uns anos atrás, era eu solteiro (e bom rapaz, embora haja quem possa discordar – como a esposa em questão) e bem mais frequentador da vida nocturna do que hoje em dia, vi certa vez no MG um moço (que recordo como sendo bem apessoado, embora já não me lembre da cara dele) que me chamou a atenção. Eu olhei, dancei para o meu lado, ele olhou, dançou para o seu, e a coisa ficou por ali. Mas na próxima noite, por acaso, voltámos a encontrar-nos num outro bar, e depois da troca de algumas mensagens (por iniciativa dele) trocámos também números de telefone. Vim-me embora, mas como o rapaz era emigrante e estava de partida marcada na manhã seguinte para França, acabei por decidir “que se lixe!” e voltei a ir ter com ele.

Falámos. Afinal era casado e tinha uma filha, disse-me, e se eu não tinha problemas com isso. Como ele ia voltar para terras gaulesas no dia seguinte, e além disso não o tinha propriamente obrigado a estar ali, nada disso me pareceu muito relevante, e enrolámo-nos… Com a sede com que ele foi ao pote, deu para ver que a esposa andava muito enganada.

Pensava eu que depois disso nunca mais iria ouvir falar do moço, mas no dia seguinte, liga-me já de França… Alguns dias depois liga-me novamente… Não lhe dou muita saída, mas continua a telefonar… E no dia do meu aniversário, liga para me dar os parabéns – só que aí, ouço em fundo uma voz de mulher a discutir com ele; aparentemente, a esposa não está a achar muita piada à chamada. E uns dias mais, o telefone toca, eu penso “Outra vez?” e atendo. Afinal é a legítima; no seu tom tenso de esposa injustiçada, lembra-me em francês que o seu homem é casado e pai da sua filha, e que não tenho nada que andar com ele, ao que eu respondo em português “Está bem.” e desligo.

Se alguém seduzisse o meu namorado, consciente de que tínhamos uma vida a dois, não iria morrer de amores por essa pessoa, nem de perto nem de longe. Mas, no fim de contas, a única pessoa a quem eu me acho com legitimidade de condenar seria aquele que afinal de contas assumira um compromisso para comigo: o meu namorado.
A senhora não achou. Pensou com certeza que eu, destruidor inveterado de lares que sou, fizera mais uma vez das minhas e puxara o seu marido do caminho da virtude até ao meu regaço. Era eu com certeza a única fonte do colapso do seu casamento.
Não me vejo a ligar a ninguém, a dizer para largar o meu homem. Ainda mais estando essa pessoa a uns 2.000km de distância da minha (aí já não tão) cara-metade. Mas talvez se eu fosse de França fosse diferente. Os franceses são estranhos; basta ver o Sarkozi e a Carla Bruni. Ou talvez seja uma coisa de mulheres, não sei. Disso não percebo nada.

Ainda assim, o telefonema dela não foi o fim da estória. Passados alguns meses, já eu namorava com outra pessoa, ligou-me o gajo. Tinha deixado a mulher, ia voltar para Portugal e comunicou-me (!) que eu ia buscá-lo ao aeroporto.

Ainda hoje deve lá estar à espera.


P.S. – É tudo verdade.

quinta-feira, abril 30, 2009

Dei à Costa...

Entre viagens-relâmpago a Espanha e um bocado para olhar para o mar depois de ir ver um trabalho à Costa da Caparica, sempre vão havendo vantagens em ter um emprego que não existe só dentro de portas...

sábado, abril 25, 2009

quinta-feira, abril 23, 2009

quarta-feira, abril 22, 2009

Verdade ou mentira – WC|AR


Já me propuseram namoro numa casa de banho

Já estão a fazer o filme todo, não é?

Olhares que se cruzam, um momento de insanidade, sexo tórrido ao lado de um urinol, uma voz arfante que diz “Nunca senti nada assim. Contigo era pra sempre…”?

Não, o filme não está na prateleira dos XXX-rated. O filme é outro…

Peço-vos um exercício de imaginação. Imaginem que começaram a sair com alguém de quem estão a gostar, apenas dois meses depois de acabarem (e não da melhor maneira) outra relação, e por isso estão a tentar levar as coisas com calma. Imaginem que passado um mês, vão com ele, mais as duas irmãs, todos num carro (delas), passar um fim-de-semana de trabalho (dele) a quase 200km de distância.

O primeiro dia do trabalho, um desfile de moda, até correu bem, e estão de volta ao quarto de hotel arranjado pela organização, onde vão ficar os quatro. Nisto, ele puxa-vos para a casa de banho, e começam a falar. Lá fora, batem à porta do quarto, várias vezes, e é um corropio de gajas que entram e saem para o corredor, as irmãs e as modelos do desfile, todas acesas para irem para a night.

E, no meio dessa confusão que se ouve mesmo através da porta fechada do WC, ele pega em vocês e diz-vos que já não aguenta mais não saber e que vão ter de lhe dizer agora, naquele instante, se querem namorar com ele a sério ou não…

Podem parar de imaginar, porque foi assim que as coisas se passaram.

O que era suposto eu dizer? “Não, não vou arriscar ficar contigo, e agora, depois de me obrigares a estragar-te completamente o fim-de-semana, vou apanhar um comboio à uma da manhã porque vocês só vão para cima amanhã à noite”?! Podia bem tê-lo mandado pastar por me fazer isso. Mas não mandei. A sorte dele, a minha sorte, a sorte dos dois é que eu queria dizer que sim… Apesar do medo. Sim, medo, que a relação anterior ainda estava fresquinha e embora tivesse à minha frente uma pessoa muito diferente, ainda estava magoado. Mas como estamos juntos vai para mais de três anos, posso dizer sem sombra de dúvida que foi a decisão acertada… e isto (assim como este filme) é a verdade.

Parabéns a ti, meu actor principal (e único), pelo teu aniversário hoje… Que a vida te sorria hoje e sempre e continues a fazer filmes ao meu lado por muitos e muito anos!

quarta-feira, abril 01, 2009

Verdade ou Mentira - Luciana

Em honra do dia de S. Pinóquio, revisito o tema "As Três Mentiras" para lançar uma mini-série de posts aqui no Micrónicas, revelando a verdade, afinal. As oito bombásticas revelações (poderá haver qualquer coisa de exagero aqui) - a nona, a do dente, já foi respondida - serão editadas em ordem cronológica reversa (ou não tinham reparado que estavam por ordem!?) e sairão conforme me for apetecendo escrever.


A Luciana Abreu já disse que eu sou muito meiguinho

A coisa passou-se (ou não, se for mentira) no Jardim Zoológico. Lógico, né? Dentro de uma tenda. Claro... E foi consequência de eu ter besuntado a cara da Lucy com creme (Se calhar é melhor passar já para a próxima história que está-se mesmo a ver da veracidade disto...).

Socorrendo-me dos arquivos do A.R. para explicar afinal de que raio é que estou a falar (também podia ter dito logo que foi um desfile de beneficência da agência "Geração Radical" no Jardim Zoológico em que fui dar uma ajudinha ao A.R.) posso avançar para a parte em que me cai na cadeira de trabalho Luciana Abreu em pessoa.

Já ajudei o A.R. com a base do seu trabalho em vários desfiles que meteram famosos ou semi-famosos. E chamem-me estúpido, porque sei perfeitamente que (a maior parte da) gente famosa não morde, mas mesmo assim consigo ficar uma pilha de nervos e acabar por deixar o maquilhador profissional tratar do caso, enquando me dedico alegremente a almas desconhecidas. Dessa vez, não sei porquê, talvez porque houvessem outros ilustres ao mesmo tempo, fui convencido a tratar da pele daquela mocinha que não tinha nada, mas tinha tudo tudo tudo.

Lá a instalei e, para azar dela e do A.R., estávamos nesse dia a experimentar um creme que não o habitual. Que era bem mais concentrado do que o que eu costumava usar nestas circunstâncias. E que, apesar das recomendações para USAR POUCO, espalhei pela face da Lucy, morosa e cuidadosamente, até que a pobre ficou gordurosa como nunca. Felizmente, a minha lentidão, que espelha a minha inaptidão natural para este tipo de tarefas, é geralmente tomada como técnica de relaxamento, e esta vez não foi excepção. Lucy foi ficando cada vez mais relaxada e menos passível de reparar que estava a ficar engraxada. E depois de ficar mesmo, mesmo quase a dormir, passou para as mãos do A.R, que lhe perguntou (disse-me depois) se tinha sido bem tratada por mim. Ao que Floribella responde (nessa altura ainda era Floribella), provavelmente motivada pela pedra de sono, que sim, que eu era muito meiguinho.

Por isso lamento descer na tua consideração, G., mas... é verdade.


P.S. - O trabalhinho que o A.R. teve para lhe fazer uma maquilhagem de jeito depois do meu "serviço" é que não foi brincadeira...

segunda-feira, março 30, 2009

quinta-feira, março 26, 2009

Verdade ou Mentira - O dente

Verdade. Eu tinha mesmo um dente que fazia 90º com os seus vizinhos. Tinha, porque já não tenho. Ontem à tarde fui sentar-me na cadeira do dentista que, a coberto de uma boa anestesia, martelou, serrou, escarafunchou e puxou até que o meu juízo (vulgo siso) foi diminuído para ¾. Parece que o dito estava a prejudicar os restantes dentes, e teve de ir à vidinha dele, ou lá o que os dentes fazem quando são extraídos.

Hoje tenho uma batata numa bochecha, e até à hora de almoço, estava com dores e mal conseguia abrir a boca. Agora estou medicado, e não me dói tanto, mas tenho menos um dente. Será que fiquei mais leve à conta disto? Ei, cada grama conta…

Agora, a menos que algum dos meus outros dentes do siso esteja posicionado de forma idêntica ao malogrado, a verdade é que o meu dente a 90º é… (entra a música do programa da Teresa Guilherme)… mentira.

sexta-feira, março 13, 2009

Desafiar o azar


Com mais uma sexta-feira 13, a segunda no mesmo número de meses, fica a pergunta: devemos esperar que ela passe e que o azar nos passe ao lado... ou devemos mesmo desafiar o azar e tentar a nossa sorte?

quarta-feira, março 04, 2009

As três mentiras

Passados uns bons tempos de ter sido desafiado pelo Peter Pan a isso, deixo por aqui nove afirmações sobre a minha pessoa, sendo que três delas são mentiras.
  • Quando nasci fui baptizado à pressa porque os médicos não sabiam se eu sobreviveria;
  • O meu emprego ideal em pequeno era ser arquitecto;
  • Uma vez ganhei um prémio por dançar o “Thriller” do Michael Jackson;
  • O meu primeiro telemóvel caiu ao rio Tejo;
  • O melhor pão que já alguma vez comi foi na minha viagem a Viena de Áustria;
  • Já me chegou a ligar uma esposa furiosa a descompor-me por dormir com o marido;
  • Já me propuseram namoro numa casa de banho;
  • A Luciana Abreu já disse que eu sou muito meiguinho;
  • Tenho um dente que faz um ângulo de 90º com os restantes.
E agora se quiserem adivinhar estão à vontade... Passar a nove pessoas é que é mentira. Quanto muito, ao A.R., se ele estiver para aí virado...

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

sábado, fevereiro 21, 2009

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Tás-me a ver d'óculos?

É natural... Depois de tanto tempo a queixar-me que tinha de ir ao oculista, fui mesmo. A vista cansada ao final do dia era uma situação cada vez mais frequente; a gota de água foi uma dor de cabeça de caixão à cova com direito a má-disposição e tudo.

E agora tenho óculos. Só para trabalhar ao computador, ou quanto muito para conduzir à noite. É uma sensação a modos que estranha, sentir a vista um pouco distorcida... Os óculos (ok, está bem, comecei a usá-los hoje) ainda me fazem impressão. Espero adaptar-me a eles rapidamente, porque supostamente são para me fazer ver melhor, como os olhos grandes do lobo da história do Capuchinho Vermelho, e não para embaciarem sem mais nenhum resultado prático.

A maior parte das pessoas até agora disse que nem me ficam mal. Eu, a olhar para o espelho, ainda não consegui perceber se gosto de me ver ou não. Lá por casa, foi uma revolução porque o meu irmão (que era o único que faltava para além de mim) também começou a usar óculos há uma semana, e agora já não nos podemos rir uns dos outros. Pois é, os óculos novos podem até, quem sabe, ajudar-me a ter uma nova visão sobre o mundo. Só espero que não seja sempre assim tão nublada...

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Vai uma rifa?

Rifa-se: Papa, modelo Bento XVI

Estado: pouco usado como Papa, apesar da idade

Motivo: Parece não funcionar como deve ser. Depois do retrocesso que trouxe a vários sectores da relação igreja/comunidade, patente desde o início da sua utilização, continua a efectuar tarefas erróneas como o discurso sobre o estado do ano que passou, em que o destaque, no meio do lindo estado em que está o mundo, foi o flagelo para as famílias que é a comunidade gay, e agora, o acolhimento de volta ao seio da igreja católica de senhores bispos que advogam que o holocausto nazi foi largamente exagerado e que nunca houve nada dessas câmaras de gás… Serão resquícios dos tempos de mocidade em que o nosso papa integrou a Juventude Hitleriana?

Contactar: (espaço deixado em branco porque ninguém vai querer comprar rifas, mesmo...)

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Goodbye, Mr. Bush!

Ah, George Bush... I guess this is goodbye. Let's sing, shall we? With feeling, everyone!


Now decisions that you leave behind
Are just memories of a brainless life
Some that made us laugh, some that made us cry
One that forced you have to say goodbye
What much'd give to wrap their fingers 'round your neck
To shut your lips, hold you in check
When you say your prayers try to understand
You've made mistakes, you stupid man


Always - Bon Jovi
(slightly adapted)



E pronto, chega ao fim a era Bush. Para quem se quiser despedir condignamente do senhor, um dos meus primeiros posts ainda lá está...

sexta-feira, janeiro 09, 2009

A. - Ano Trinta e Quatro

“Então, estás mais velho!”

Estou. Sei que sim. Mas se não soubesse ainda, tinha ficado de certeza a saber, porque praticamente toda a gente que me deu os parabéns este ano começou a conversa com esta frase.
Sei que já não vou para novo. Que os brancos aumentam a sua influência no tom geral do meu cabelo, e que lentamente o meu metabolismo vai desacelerando, acrescentando células adiposas à minha linha de cintura. Que, longe do tempo em que saía a cada santa sexta-feira, hoje me enrosco no sofá e prefiro (!) muitas vezes o quente da sala ao ar fresco.
Estou mais velho, pois estou, mas não estou velho. Continuo a ser o mesmo. Apenas junto ao eu que já era o eu que fui acumulando ao longo dos últimos anos. O eu que se apercebe de coisas que antes não via, e que pensa em coisas que não pensava, e que se vê a braços com mais responsabilidade(s) e tem de lidar com ela(s).
A pouco e pouco, tenho mais rugas, mais peso, mais brancos. E se Deus quiser, vou continuar a ter mais e mais, ao longo dos anos. O tempo passa por todos. Porque é que eu havia de ser diferente?

Chegaram os 34, no dia 7. E chegaram bem.
Agradeço àqueles, e não foram poucos, que me desejaram, em pessoa ou por mensagem, um feliz aniversário.
Agradeço na mesma àqueles que, por esquecimento ou mesmo por desconhecimento da data do meu aniversário, quereriam desejar-me felicidades e não o fizeram.
E agradeço ainda aos que não me queriam mesmo desejar um feliz aniversário por me terem poupado a ouvir felicitações fingidas e da boca pra fora.

“Ena, estás mais velho!”. Também tu.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Passagem

A passagem do dia 31 para dia 1, tumultuosa no que a antecedeu pelas indefinições quanto ao que fazer, acabou por transformar-se numa noite de família. Se por um lado tenho a certeza que me teria divertido noutros sítios, como em casa do G., a verdade é que já há uns anos valentes não passava o reveillon com os meus pais, e foi óptimo estar com eles novamente na Casa da Porteira. Apesar da resistência inicial do meu pai em sair de casa, foi e estava feliz. Foi bom vê-los assim satisfeitos, foi bom ver o A.R. satisfeito, atarefado a preparar o jantar com a ajuda do meu pai, a fazer chouriço assado como uma das (mil e uma) entradas que a minha mãe adorou. Foi bom passar a meia-noite ao pé coxinho, a gritar "oh Elsa!!!!" a plenos pulmões no terraço, a beber espumante tinto. Nem o nevoeiro, que tapou a maior parte do fogo de artifício, conseguiu estragar o que quer que fosse. Foi bom cantar em duetos loucos até às 4 da manhã, e principalmente foi bom constatar que cada vez mais o A.R. sente o sr. S., a dona L. e os meus manos como família, e vice-versa.

Foi, foi bom. Que 2009 seja tão bom como as entradas. Vamos a ele, pessoal!

quarta-feira, dezembro 24, 2008