segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Realeza e Vegetais
Espero que tenham o som bem alto! :)
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Memórias de uma Geisha
Uma paleta de cores hipnotizante, espalhada na tela como se de um quadro se tratasse, pinta delicadamente o retrato de um espaço e tempo remotos pela sua distância cultural, com regras e costumes tão diversos dos nossos que é difícil colocarmo-nos na pele das personagens. E no entanto, por baixo dessas diferenças existem os mesmos sentimentos, as mesmas aspirações com que vivemos dia a dia.
Esta é a história de uma mulher, construída em torno de um sentimento. De um propósito.
Chiyo é vendida em criança pelo seu pai, juntamente com a sua irmã, a uma casa de geishas. A irmã não é aceite, sendo vendida a uma casa de prostituição, e Chiyo encontra-se sozinha no mundo. Mas cairá ainda mais baixo. Os esquemas de Hatsumomo, a mais célebre geisha da cidade, que a vê como uma ameaça potencial, têm os seus frutos: nunca será uma geisha, nunca passará de uma escrava.
A menina perde toda a esperança. Para ela, a vida acabou. Até que um dia, um homem que não conhece lhe fala com bondade e lhe oferece um gelado. Fascinada por ele, Chiyo decide que um dia será ela a estar no lugar das mulheres que o acompanham. Um dia, será uma geisha, custe o que custar.
Chiyo é a água espelhada nos seus olhos azuis. Adapta-se, procura um caminho por entre as rochas que formam o seu horizonte. A sua oportunidade surge anos depois, quando Mameha, a rival de Hatsumomo, a procura com o intuito de a tornar sua aprendiz. Em pouco tempo, ensina-lhe toda a arte de ser uma geisha. Culta, educada, bela, sensual, uma geisha é uma obra de arte viva, para ser desejada, apreciada pelos homens. Logo, e apesar da inveja de Hatsumomo, que continua a querer arruiná-la aos olhos de todos, Chiyo renasce como Sayuri, tornando-se tão famosa e cobiçada que a sua virgindade acaba por ser vendida pelo valor mais alto de sempre.
Mesmo assim, Sayuri vai descobrir que o destino continua a levá-la para longe da única coisa que deseja: o amor do homem que um dia levou a esperança de volta à sua vida.
Para alguns, o amor é a queda. Para Hatsumomo, amar estava-lhe vedado pela existência que a escolhera. No final, o sentimento destrói-a. Por dentro, assim como por fora. Mameha vive a sua vida sem ceder ao amor secreto que tem pelo seu patrono, e que não podea demonstrar, até que este se suicida depois da queda do Japão na II Guerra Mundial. No final, apenas lhe resta a vida vazia de geisha.
Para outros, o amor é a redenção final. “Todos os passos que dei foram em direcção a este momento”, diz Sayuri ao Administrador. A água encontra por fim o seu curso.
Um filme belo como poucos.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
De pára-quedas
Na segunda-feira tive um café simpático. Ontem tive um jantar mais simpático ainda. Com alguém que me parece uma pessoa que gostaria de conhecer melhor. Alguém que (hipoteticamente) poderia vir a significar mais para mim.
Estou a entrar por um caminho que pensei não trilhar tão cedo. Talvez por isso seja complicado; ainda vou carregado com a bagagem dos últimos meses.
Desde ontem que digo a mim mesmo que é bom passar por isto. Porque é, na realidade. Estou a recordar-me como é bom começar a conhecer alguém. Ver um sorriso na cara do outro e perceber que está a gostar genuinamente de estar ali. E perceber sem olhar para o espelho que estamos a sorrir também.
Mas a dúvida está lá. Estou a gostar da pessoa pelo que ela é? Ou estou simplesmente a tentar preencher o vazio que ainda tenho na minha vida?
Tento pôr em ordem os meus sentimentos. E tento seriamente não brincar com os sentimentos de ninguém. Ainda é extremamente prematuro dizer se poderá ser algo mais sério. Por isso, vou deixar rolar, mas com muita calma.
Uma coisa é certa. Ganhei um novo amigo. Só isso já é motivo para estar feliz.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Fim de Semana
O final de sexta-feira teve alguns pontos menos bons; felizmente, Sábado e Domingo foram bem mais preenchidos do que é normal ultimamente. E não houve uma parte que se pudesse dizer que foi má. Para resumir, o programa das festas foi o seguinte:
Parte 1: Sábado
Como tenho o rádio na Antena 2, o despertar foi com uma entrevista com uma senhora idosa que contou como era a vida lá numa quinta no tempo do D. Miguel. Bem giro. Fast forward… Almocei comida da mamã e rumei a Lisboa, supostamente para procurar fato de Carnaval para mim. Quase que chegava à loja, mas desencaminharam-me para tomar café. A tarde foi muito agradável, na baixa, e depois passámos os dois à FIL. Cortesia da mana, que estava num dos stands, entra a Nauticampo.
Nauticampo. Uma feira nos pavilhões da FIL. Com barcos, barcos, e mais barcos. E caravanas, também, e tendas. A exposição tem barcos inacreditáveis. As caravanas também são fantásticas; só apetece pegar numa e dar uma volta sem destino, durante um mês ou dois. São coisas que nos fazem sonhar, e perceber que nunca seremos ricos. Admitamos, a maior parte das coisas em exposição era basicamente inatingível. Isto inclui a secção dos fuzileiros que acompanhavam um helicóptero e um tanque de mergulho, também expostos. Ai, ai…
Fugimos da FIL debaixo de chuva, o que teve bastante mais piada, claro. Despedi-me da companhia para ir jantar com vários outros amigos. Depois da refeição, um chá calmo, seguido do aparvalhar desvairado que às vezes também é preciso (se bem que por vezes chega a pontos em que seria necessário usar uma arma de tranquilizantes – mas quem se está a queixar? :) ).
A noite terminou no T., onde a música não esteve nos píncaros mas também não foi de se deitar fora. Deu para dançar um pouco…
Parte 2: Domingo
Acordei com uma mensagem. Uma boa mensagem. Preguicei um bocado, o que também considero uma parte boa do fim de semana. Fiz um almoço para lá de bom (especialmente porque não deu muito trabalho). Apesar da chuva saí de casa, e fui visitar o meu afilhado, que já não via há quase dois meses. Brinquei com o puto, que consegue ser metade terrorista, metade anjo, e divertimo-nos à brava com esgrima – ele vai mascarar-se de príncipe no Carnaval – e bebemos sumo de manga. Loucura total!
Vai de ir para Lisboa de novo, desta vez para jantar com o Pedro, e ir depois ao S. Luís viver uma das noites mais hilariantes da minha vida. “As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos”, da responsabilidade da Companhia Teatral (Reduzida) do Chiado, é uma coisa completamente fora do normal. Não há maneira de descrever uma experiência que está em cena à 10 anos, sempre esgotada. Se não conseguirem bilhete, não sou eu que vos vai conseguir explicar o que estão a perder.
E no finalzinho da noite, depois de voltar para casa, ainda houve tempo para um chat acompanhado de chá. Hummm…
domingo, fevereiro 19, 2006
Um café e um amigo
Um amigo que não queria perder.
Não falámos de tudo, mas tudo o que falámos tinha um gosto de familiaridade. Não foi estranho, foi perfeitamente natural, como se o interregno não estivesse lá.
Gostei do café. Gostei de andar à caça de acessórios de Carnaval. Gostei de ver barcos e caravanas. Gostei de fugir da chuva.
Senti-me à vontade com ele, e acho que ele também sentiu o mesmo comigo.
Agradeço-lhe. Por me ter convidado para o café. Por me ter acompanhado à exposição. E principalmente, por certas delicadezas que teve para comigo, consciente ou inconscientemente.
Obrigado, amigo.
sábado, fevereiro 18, 2006
Unvalentine
Fazer desmoronar uma parte dos seus sonhos, roubar-lhe algo a que se agarrou, soube-o à pouco, por bastante tempo.
Disse-lhe que tinha feito o melhor em dizer-me. Que era preferível saber finalmente com certeza que não valia a pena ficar a pensar em mim como algo mais do que um amigo. Que assim podia seguir com a sua vida.
O pior é que não tenho a certeza que tenha sido o melhor. Que, pelo que ficou implícito, para ele talvez fosse melhor ter-me ali eternamente como uma possibilidade do que saber claramente que a única coisa que poderá ter de mim é uma amizade. Que nunca teve alguém que o amasse verdadeiramente, e que apesar de ainda ser bem novo, me via como uma última oportunidade.
Custou-me perceber isso, como me custou dar-lhe a resposta. Via-me no lugar dele, se as posições se invertessem. Tive de lhe dizer, claro. Mas sei que lhe causei dor. Desilusão, pelo menos.
Espero sinceramente que ele venha a perceber um dia, como eu percebi, que mesmo no nosso mundo há lugar para amor verdadeiro. Pode não ser eterno, pode transformar-se numa amizade, pode até acabar simplesmente, mas é amor enquanto dura. E que esse amor virá para ele também, e será correspondido. Acredito que todos temos direito a alguma felicidade.
E não, não me esqueci que ainda estou a recuperar do último. Mas esse mesmo último, com fim e tudo, teve muito que me faz acreditar em cada palavra que acabei de dizer.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
O primeiro jantar
A casa é pequena; não cabe muita gente ao mesmo tempo. Não há tempo para essas coisas, anda sempre tudo a correr. A comida que faço é desinteressante na melhor das hipóteses, intragável na pior.
Tudo razões válidas para não fazer jantares, e verdadeiras. E ao mesmo tempo, tudo desculpas.
Sim, quebrei finalmente o tabu de organizar um jantar lá em casa. Talvez organizar seja uma palavra um bocado forte. Mas dei um jantar. Não me apetecia nada passar a noite de S. Valentim sozinho, a lembrar o ano passado e a imaginar o que inevitavelmente teria de me passar pela cabeça, com outra pessoa a ocupar o lugar que era meu então. Para isso, já me chegou bem o dia, obrigado. À última da hora, e com o empurrãozinho de uma das minhas Amigas, decidi que iria estar com pessoas de quem gosto, e que como eu não têm a sorte/felicidade/casualidade/frete (riscar o que não interessa) de ter alguém com quem compartilhar as habituais lamechices desta data (e sim, G., eu sei que as datas pré-definidas só nos afectam se deixarmos – processa-me).
Mesmo assim, couberam ao todo para jantar sete pessoas lá em casa. O tempo arranjou-se, mesmo a um dia de semana. E não foi pela minha comida que as pessoas lá foram.
Foi um bom jantar. Não pela excelência do menu, se bem que ninguém se queixou. Os convidados passaram uma noite muito agradável, segundo palavras dos mesmos, e eu também. Toda a gente quis ajudar, desde o jantar até ao tirar dos cafés na minha máquina nova – e que tourada que isso foi! :) Obrigado a todos os que estiveram presentes, por me terem dado o prazer da sua companhia. E outros houveram que não foram convidados por circunstâncias diversas – mas que estiveram lá em pensamento, acreditem-me.
No fim ficou apenas uma pontinha de mágoa. Porque no dia em questão não poderia evitar pensar nos “e se...”, não pude deixar de me perguntar porque não dei eu um jantar, por exemplo, quando ainda namorava. Falei nisso ao meu ex (continua a ser estranho dizer isto, embora cada vez menos) algumas vezes, mas a receptividade da parte dele foi nula, como foi aliás a muitas outras coisas agora para o fim, mas isso já ultrapassa o assunto em aberto. Teria sido giro partilhar a organização de um jantar à séria com ele, trabalharmos os dois para isso, e como diz a querida Shakira-ou-aquela-moça-obcecada-com-os-seus-seios-pequenos: “When the friends are gone / When the party's over / We will still belong / To each other”. Mas não aconteceu.
Este jantar é também um ponto de mudança para mim. Primeiro, porque agora que comecei, já não quero parar. Haverão mais jantares. E depois, porque começo a conciliar partes da minha vida que até aqui nunca se misturaram e que pelos vistos ligam lindamente (juntando uma amiga de longa data com os meus amigos alegres). Um pequeno marco num caminho que tenciono seja daqui para a frente cada vez mais pautado por uma evolução da minha parte e por uma variedade que abra cada vez mais os meus horizontes.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Estranho
Fico acordado à noite, com um estranho dentro de mim.
Não o conhecia, não me reconheço,
A este estranho, que ficou quando tu foste,
Que conta as horas até te ver de longe
E que olhando para ti vê outro estranho
Com olhos que já não são meus.
Não durmo; mas também não estou desperto.
O outro que deixaste comigo
Chama por ti,
Chama pela forma que deixaste impressa na minha cama.
Levanto-me, mas não consigo erguer-me.
Talvez devesse apresentar-me, a este estranho,
E trapacear atalhos para fora de ti.
Tento fazer um mapa da face
Que me fita agora no espelho e não me fixa;
Experimento tocar-lhe, mas é água, é fumo, é mentira.
Abomino-o.
Queria querer bani-lo
Ao fantasma que ocupa o meu lugar
Preso a um lugar onde só tu pertencias
Mas não posso.
Afinal, não há nada para além dele.
Nele só há uma constante que percebo
Não é dor
É só o vazio
A que este estranho chama vida.
domingo, fevereiro 12, 2006
sábado, fevereiro 11, 2006
Uma razão para acreditar
Aos meus pais, agradeço por se amarem. A esses dois Seres que adoro, mesmo que se calhar há muito tempo não o diga por palavras, tenho a agradecer mais coisas do que seria possível enumerar, mas hoje agradeço-lhes pela dádiva de me permitirem ainda acreditar que é possível encontrar alguém que nos complete e queira percorrer esta estrada de mãos dadas.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Men at Work
Anda-se em obras. O chão de duas salas teve de ser substituído, devido a uma inundação que há algum tempo atrás fez levantar os tacos, e enquanto os homens trabalham paira uma nuvem de poeira pelo escritório. Entranha-se em tudo. Entra pelas narinas. Não temos servidor porque teve de ser retirado de uma das divisões, por isso trabalha-se a meio vapor. Durante a pausa, bebeu-se o café em pé; as cadeiras da copa estão soterradas com tralha (vulgo pastas).Tive de receber um fornecedor no meio da confusão, examinando a proposta dele em cima da máquina das fotocópias que neste momento está perto da porta de entrada.
Nota 1: A proposta do fornecedor teve mesmo a ver com materiais, e não com o que quer que estejam a pensar.
Nota 2: É pena porque a pessoa era muuuito interessante...
Vamos lá ver se amanhã já se recomeça a trabalhar normalmente, sem o barulho da serra circular a maltratar-nos os tímpanos. Não me apetecia muito ter de levar protectores para ouvidos e máscara para o pó.
Orgulho e Preconceito
O cinema tem destas coisas. Quando o filme é bom, transporta-nos para outra realidade, mostra-nos pedaços de vidas que são reais enquanto estão ali à nossa frente. Passei por um portal desses neste fim de semana. O amor contrariado pela sociedade do século XIX, mas mais ainda pelos próprios a quem pertencia, foi um doce para mim.
Porque o filme era belíssimo, com imagens que hipnotizavam e uma atmosfera que envolvia os sentidos.
Porque Lizzie era vibrante, linda, sonhadora e Darcy fechado, taciturno, e completamente comovente na sua incapacidade de dar a conhecer os seus sentimentos, e ainda assim sabíamos que o seu destino era ficar juntos.
Porque apesar de nunca se tocarem, a energia e atracção que envolviam o par cada vez que estava junto no ecrã era palpável.
Porque ri, e chorei.
E porque bem precisava de uma história de amor com final feliz.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Paredes de Coura
É uma vila a crescer, talvez aproveitando a notoriedade que o dito festival lhe dá. Tem toda uma zona central completamente modernizada, com estacionamentos subterrâneos, um novo centro de saúde, urbanizações novas, vias perfeitamente urbanizadas, uma ciberloja para o pessoal jogar online ou navegar na net, enfim...
Os acessos à vila e a zona mais periférica são outro assunto, naturalmente. A estrada continua a estar no patamar a seguir ao caminho de cabras, e os arrebaldes continuam a ser uma perfeita aldeia do norte, com os seus muros de pedra e casinhas a condizer. Com vacas a pastar e tudo.
O que também me surpreendeu um pouco foi a quantidade de gente nova misturada com os idosos que se via por lá. Tem-se a ideia que fora dos centros urbanos a população é maioritariamente envelhecida, mas não era o que parecia.
E as pessoas com quem tive contacto foram todas muito simpáticas. Achei que talvez não fosse assim por ser o peixe fora de água, um mouro, enfim. Talvez seja só assim no Porto, não sei... :)
Parece que Paredes de Coura vai bem lançada. Claro que não conheço nem faço tenções de conhecer a economia da região, mas a julgar pela capa, este livro tem uma boa estória lá dentro.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Um mês
domingo, janeiro 29, 2006
Já pegou?...
Por esta altura já passou na televisão o programa… Ainda não vi, mas pedi para gravar… tanto para ver se me vejo a mim ou à mana como para perceber se vai resultar como concurso ou não. Voltemos ao relato.
Os vinte e seis concorrentes que compunham o sector vencedor passaram à fase seguinte, a fase das perguntas, onde apesar de tudo sempre convém saber mais que os outros. Se bem que à sorte também funcione, como era o caso do simpático André, que (quase) passou à final. Mas antes estivemos à espera um bom bocado que 26 almas tivessem um sound check individual dos seus microfones. Por esta altura já havia uma confraria de várias pessoas à minha volta que reclamava animadamente, muitas vezes apenas por princípio (eu inclusive – as desgraças unem muito as pessoas, e soltam línguas).
As regras desta parte do concurso estão um bocado mal explicadas. Pelo menos na gravação, não fazíamos ideia quem ia à frente, apesar do Unas dizer “Você foi a mais rápida” ou “Muito bem, Ana!”. E foi assim que fomos informados que já haviam duas escolhidas para passar à semi-final.
Mais tempo. As raparigas foram ser maquilhadas. Pelo menos uma delas bem que precisava. Fiquei com mais respeito pelo trabalho dos caracterizadores depois de ver o resultado final.
Vamos então saber coisas sobre a vida das finalistas. Parece que vamos passar mais um bocado com elas. Ou não.
É aqui que as coisas se tornam ainda mais estranhas. Até este ponto, cada eliminatória decidia-se com várias perguntas, talvez não as mais inteligentes, mas pronto. Agora, o jogo era outro: a decisão depende de uma única pergunta (!), uma... conta. Diga lá quanto é 220 x 2 – 12, depressa e bem, e vai abrir malas. Erre, e vá para casa.
A moça carregou primeiro, engasgou-se no resultado. E foi para casa.
Ficou a algarvia. Entraram as malas. Passámos à fase final do concurso.
Naturalmente, não foi assim tão instantâneo. A acompanhante teve de ser maquilhada também. Mais uma boa demora. E tiveram de desalojar um casal do seu lugar para ela se poder sentar frente às câmaras (para o tal lugar que devia ter sido meu, meu!).
A mecânica é a seguinte: existem 26 malas, com diferentes quantias em dinheiro, de 1 cêntimo a 300.000€. O concorrente escolhe uma, que fica a ser a sua mala. A partir daí vai abrindo malas, primeiro seis, depois cinco, e assim sucessivamente. Cada vez que se acaba de abrir uma série, é oferecida uma quantia para ficar por ali, que tem a ver com o dinheiro que ainda resta nas malas por abrir. Se aceitar, o jogo acaba. Se for até ao fim, ganha o que estiver na que escolheu inicialmente.
Esta negociação desenrolou-se. Relativamente rápido, graças aos céus. O telefone de modelito ultrapassado como uma tartaruga na auto-estrada tocou várias vezes, atendido com malabarismos por parte do nosso anfitrião da noite. A finalista (esquece-me o nome dela; se alguém fizer questão de saber ligue para a produtora) decidiu ficar pela oferta de 25.000€, que já é uma bela quantia, apesar de toda a gente na plateia gritar “Larga! Larga!”. Acho que a plateia gritaria “Larga!” até à última mala. É sempre mais fácil arriscar o que é dos outros. Infelizmente para ela, com a simulação da continuação do jogo, comprovou-se que poderia ter ganho até mais de 90.000€. Paciência. Não se adivinha, não é?
Trouxeram o cheque para ela. A amiga acompanhante veio até ao plateau, para a felicitar. Trocaram beijinhos e já o macho do meu vizinho do lado dizia que o dinheiro era mal empregue; afinal ia financiar a lua de mel das duas mocinhas. Enfim, mais uma prova que os homens só pensam em mulheres e sexo, e muitas vezes em mulheres a ter sexo umas com as outras. Ah, e também pensam e carros e em futebol, mas não sei como encaixar isso aqui.
Foi o fim do programa e da gravação. Era 1h da manhã. Eu e a mana voltámos ao autocarro, fizemos o caminho de volta, chegámos a casa por volta das 2h30, depois de 500 anos à procura de estacionamento e de ter deixados os carros em cascos de rolha.
Balanço da experiência: gostei. Houveram partes maçadoras, principalmente os compassos de espera. Mas foi uma noite diferente. E uma vez que a mana vai lá voltar, pelo menos mais uma vez, não está tudo perdido… Ainda posso vir a ficar no lugar de honra do acompanhante.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
...Ou Largar?
É o Pegar ou Largar!
Já tinha ido a gravações de programas antes. Tudo concursos. Mas já foi há algum tempo; o primeiro tinha sido ainda estava nos primeiros tempos da secundária. Claro que nunca fui participar, apenas assistir.
Mas este foi diferente. Este tem uma logística distinta dos anteriores. Não há meia dúzia de concorrentes, mas sim mais de 150. Cento e cinquenta e seis pessoas, a dobrar porque cada uma leva um acompanhante! Um feito conseguir que toda aquela gente vá ter ao estúdio, seja alimentada, se sente ordeiramente nos seus lugares, e depois colabore no programa com boa disposição.
Vamos por partes. Fui ter com a mana a Lisboa, e consegui chegar a horas(!) para embarcar num dos autocarros que nos levaram aos estúdios onde o programa foi gravado. Foi uma viagem de meia hora, sem incidentes, onde deu para perceber que vinha pessoal do Porto ou de Portimão, por exemplo, para participar no programa. Gandas malucos!
Chegámos ao recinto da produtora, onde nos esperava uma tenda, tipo casamento, onde nos deram uma sopita e um farnel. O pessoal parecia que estava na tropa, tudo na fila para receber a malga de sopa (Juliana. Bastante comestível). Aí a mana teve de preencher uma autorização a ceder os direitos de imagem. Eu não assinei; acho que depois de me ver na televisão vou tentar processar a produtora e sacar-lhes montes de dinheiro.
Depois de uma boa espera, levaram-nos até ao estúdio. Por fora parece um hangar. E é grande. Não tão grande como vai parecer na televisão, claro. O decór tem a sua piada, com alguns jogos de luzes (no mesmo estúdio estava guardado o cenário do programa do Herman – que ao vivo ainda parece mais pindérico).
Faço aqui um aparte para dar uma vez mais graças por não ser mulher. Tive de ir à casa de banho e a fila para o WC feminino era do tamanho da dívida externa de vários países sul-americanos combinados.
Finalmente, toda a gente sentada nos seus lugares. Tudo bem disposto mas ainda um bocado morno; aí entra o animador de serviço, ali exactamente para descontrair o ambiente e fazer o pessoal bater palmas e gritar nas alturas certas. E depois de tanto bater palmas na deixa, no final da noite estava com as mãos em brasa.
Por falar em brasas (ao que uma pessoa desce para escrever um texto com interligações inteligentes!) a primeira cena a ser gravada foi a das meninas a entrar com as suas malas, em fila indiana e arrumando-se no palco, culminando com a entrada do anfitrião. Ovação em pé, gritos e tudo. Tudo espontaneamente orquestrado. E repetido, porque uma das meninas tropeçou ao sair. C’est la vie.
Logo começámos a participar. O inefável Unas fez perguntas a que os concorrentes respondiam carregando num comando, bancada azul contra bancada vermelha. Nós, na qualidade de acompanhantes, podíamos apenas aconselhar.
A mana ficou logo por aqui. Ganhou a outra bancada. Nesta fase do jogo (como aliás no concurso quase todo) o saber individual de cada pessoa tem pouco a ver com a passagem à próxima fase; a sorte é que manda. Sorte de os companheiros de bancada não serem burros. Sorte de conseguir carregar mais cedo do que os outros. Sorte de acertar nas (poucas) perguntas que realmente contam, porque as outras são tão fáceis que toda a gente acerta.
Assim, com a bancada azul with the blues (mais um trocadilho de grande gabarito e internacional, ainda por cima) por ter perdido, passaram a degladiar-se os sectores 1, 2 e 3, que compunham a bancada vermelha. Não digo o resultado para manter o suspense para quem por acaso quiser ver, mas não foi o 2 que ganhou. Nem o 3.
E ainda não acabou...
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Vai Pegar...
A mana pediu-me para ir hoje com ela a mais um concurso. É a nova sensação da SIC, o Pegar ou Largar, com o infame Rui Unas, o sr. Cabaret da Coxa. Aceitei, porque pensei que a minha função como acompanhante seria só mesmo isso: ir acompanhar. Mas ontem à noite percebi que afinal tenho de me sentar no meio do maranhal, em frente às câmeras. Que, se por um acaso, a mana for a finalista, vou ficar numa bancada especial com um holofote apontado em cheio para mim, a dar-lhe conselhos sobre quantias de dinheiro (supostamente) elevadas. E desconfio que também vou ter de falar com o Unas, em diferido e a cores. Com os meus problemas em falar em público (ou seja, com alguém!), nem quero pensar nesta hipótese.
Claro que vou torcer para a mana conseguir chegar ao final do programa. Era muito giro ela conseguir ser a primeira no meio de tanta gente. E davam jeito as massas que se podem ganhar. Mas ficar nas luzes da ribalta assim de chofre, ali, eu e as câmeras... Podia ser o tratamento de choque que me anda a fazer falta ultimamente. Ou não; podia ser apenas uma situação completamente stressante. Era um ou vai ou racha. Um pegar ou largar...
domingo, janeiro 22, 2006
Prognósticos, só no fim do jogo
Foi cansativo. Passei o dia inteiro numa cave, até às 9.30 da noite. O meu alimento durante o dia foi um saco de bolos entre rondas, porque não havia intervalo para almoço. De tanto estar sentado, nas últimas rondas já era difícil arranjar posição. E a cabeça também já estava cansada, mais para o fim. Tornava-se difícil concentrar-me.
Mas gostei, como de costume. Foi um dia a fazer uma coisa que gosto de fazer, uma mudança de cenário. Joguei com pessoal simpático, que estava lá também para se divertir; às vezes apanha-se um estúpido ou outro que é picuínhas ao máximo com as regras e só está ali para ganhar a toda a força, mas não foi o caso. Puxei pela cabeça para fazer um baralho que pudesse safar-se (as cartas que me calharam não ligavam muito bem), mas consegui. Até não ficou muito mau. :) E os jogos em si foram divertidos, os dois lados a puxar pela cabeça e às vezes fazendo jogadas que deixavam o outro a pensar "Hei, isso foi giro! Nunca me teria lembrado disso!".
O balanço final é positivo. Diverti-me. A próxima vez é daqui a 4 meses. E eu vou lá estar.
sábado, janeiro 21, 2006
Encartado
Amanhã de manhã tenho de me levantar cedo. Provavelmente vou-me levantar antes da hora a que acordo aos dias de semana. E para quê, levantar-me tão cedo a um Sábado?
Ora, para ir jogar às cartas, claro.
Há uns anos, andava eu na faculdade, cruzei-me com um jogo um bocado estranho para a altura. Uns tipos lá do sítio andavam com uns baralhos de cartas que não lembravam nada o jogo da sueca. Cada um desses baralhos tinha cartas diferentes, com desenhos fantásticos, e com palavreado que para mim na altura queria dizer muito pouco.
Vi-os jogar uma ou duas vezes. Aquilo interessou-me; sempre fui virado para a fantasia, para criações que nada tinham a ver com a realidade. E ali estava um jogo que juntava essa vertente com uma parte táctica. Tinha de se pensar para ganhar. Tinha que se ser mais esperto do que o adversário. E eu, que nunca fui muito dado a competições porque sempre fui uma nódoa a desportos físicos, podia jogar.
Comprei um starter deck, basicamente um conjunto aleatório de cartas, e com elas fiz o meu primeiro baralho. Não era grande coisa. Com tão poucas cartas por onde escolher, e com a minha experiência nula para perceber o que escolher, não admira. Mas era o meu baralho. Agora podia experimentar, jogar com os outros. E foi o que fiz.
Tirando os meus colegas de turma, os meus parceiros de Magic: The Gathering devem ter sido as únicas pessoas com que me relacionei na faculdade. E era excelente, juntar-me a eles horas no bar ou num dos átrios a jogar ou a trocar cartas. Era um hobby partilhado, um elo em comum com outras pessoas que gostavam de fazer o mesmo que eu. Nessa altura, isso tinha uma importância extrema. Era a sensação de pertencer a um grupo. A maior parte das pessoas tem essa fase mais cedo, no início da adolescência. Eu nunca tive. Sempre fui extremamente fechado. E como tinha outras partes da minha vida que não podia partilhar com ninguém, o que me fazia fechar ainda mais, talvez essa junção a um colectivo me tenha ajudado a manter um contacto social, se não activo, pelo menos descontraído.
Joguei. Comecei a comprar mais cartas, a aperfeiçoar baralhos e estratégias. Encontrei uma loja que era quase um clube de jogos, que passei a frequentar. Os donos eram porreiros, um deles era uma rapariga lindíssima que gostava de jogar (!) e seria das poucas que me levaria por maus caminhos (ai, Maria, Maria... :) ). Foi uma boa época.
A faculdade acabou. Há algum (bastante) tempo. A minha vida mudou, como é óbvio, e tempo e parceiros para jogar começaram a escassear. Deixei de comprar cartas a torto e a direito (o dinheiro que eu gastei em cartas!... que se lixe, tirei muito prazer delas) e deixei de fazer baralhos. Mas o bichinho ficou. Ainda gosto de jogar, de descobrir novas cartas, até de fingir que aqueles rectângulos de cartão em cima da mesa são criaturas verdadeiras que lutam umas com as outras em batalhas fantásticas.
Como fazer então, para jogar de vez em quando, para matar as saudades? Acabei por arranjar uma solução.
De tempos a tempos (geralmente de 4 em 4 meses) são lançadas novas cartas. No total, existem já largos milhares de cartas diferentes. Cada vez que é lançada uma nova expansão, fazem-se eventos de lançamento, os chamados pre-releases, com as cartas novas. E estes torneios funcionam numa base de sealed decks, ou seja, cada participante usa não cartas que trouxe de casa, mas cartas fornecidas pela organização (e que depois ficam para cada um), sendo o baralho com que cada um joga feito na altura. Pronto. Igualdade de circunstâncias para todos. Nada de trazer baralhos ultra-sofisticados. Nada de ter de comprar dezenas de starter decks e boosters para ter as cartas necessárias para um baralho afinado ao pormenor. Só perícia para retirar do conjunto de cartas que nos calharam em sorte um baralho que seja melhor que o dos outros. E o divertimento de perceber as mil e uma combinações das novas cartas entre si à medida que se vai jogando.
E pronto, é aí que eu vou estar daqui a umas horas. A comandar dragões, anjos e guerreiros numa batalha de proporções épicas. Ou a ser esmagado por uma horda de esquilos sanguinários. Nessas coisas, nunca se sabe.
Magic: The Gathering
